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Papa Francisco durante almoço oferecido aos pobres, na Sala Paulo VI, no Vaticano Papa Francisco durante almoço oferecido aos pobres, na Sala Paulo VI, no Vaticano  (@L'Osservatore Romano)

Medellín 50 anos: ser uma Igreja pobre para os pobres e descartados

Cinquenta anos atrás o olhar dos bispos se concentrou na opção preferencial pelos pobres e a Igreja latino-americana passou a ser “fonte de um novo modelo eclesial”; hoje o Papa Francisco dá vida com seu magistério à mesma opção preferencial, em continuidade com a Conferência de 1968.

Cidade do Vaticano

Fazer próprias “a conversão e a reforma da Igreja” promovidas pelo Papa Francisco; “deixar de lado a autorreferêncialidade para ser uma Igreja pobre para os pobres e os descartados”; “superar a sujeira dentro da Igreja e condenar com coragem os abusos sexuais, de poder e de consciência”.

Ser uma Igreja missionária "pobre para os pobres"

Foi o apelo lançado pelo arcebispo de Huancayo, no Peru, e vice-presidente da Rede eclesial pan-amazônica (Repam), cardeal Pedro Ricardo Barreto Jimeno, durante seu pronunciamento no Congresso latino-americano “Medellín cinquenta anos: profecia, comunhão, participação”, promovido na cidade colombiana pelo Conselho episcopal latino-americano (Celam), pela Arquidiocese de Medellín, pela Coordenação latino-americana dos religiosos e das religiosas (Clar) e pela Caritas latino-americana.

Concílio, Medellín e Papa Francisco

Para o purpurado, o Concílio, a Conferência de Medellín e o papado de Francisco são “sinais de renovação e da reforma que estamos vivendo na Igreja e que devemos reforçar”.

Mais de 70 bispos da América Latina e do Caribe, comunidades religiosas, representantes do clero e leigos provenientes de vários países da região participaram do Congresso, que foi aberto dia 23 de agosto no Seminário menor de Medellín com um desfile de bandeiras representado os países do Celam e a procissão de entrada, com o acompanhamento de dois silleteros, os tradicionais vendedores de flores com suas obras artísticas.

Influência de Medellín ultrapassou nossas fronteiras

Segundo o arcebispo de Mérida, na Venezuela, e administrador apostólico de Caracas, cardeal Baltazar Enrique Porras Cardozo, “os documentos de Medellín foram um marco no caminho pós-conciliar, porque foram os primeiros a assumir o novo clima do Concílio Vaticano II. E tudo isso levou sua influência para além de nossas fronteiras”.

Estes cinquenta anos, continuou o cardeal Porras Cardozo, “foram caracterizados por altos e baixos, mas a Igreja do nosso continente amadureceu, apesar das dificuldades e dos obstáculos, internos e externos”.

Com Francisco, levar a sério o Vaticano II

Agora, o desafio principal “é assumir, na linha do Papa Francisco, a urgente necessidade de levar a sério o Vaticano II e dar à Igreja, neste momento, um rosto de esperança e alegria. Para nós venezuelanos, a fraternidade dos bispos com os quais estamos nos encontrando é consoladora”, enfatizou.

O Congresso teve início com a leitura orante da Palavra de Deus, dirigida pelo representante do Clar, Ángel Cabrera, baseada na experiência do Deus libertador do Êxodo, e o convite a olhar para a realidade com os olhos de Deus, capaz de compaixão e compadecimento.

Em Medellín, bispos elevaram voz profética

Em seu pronunciamento, o arcebispo de Bogotá e presidente do Celam, cardeal Rúben Salazar Gómez, recordou que “50 anos atrás os bispos em Medellín elevaram a voz profética e transformaram a história da Igreja e o continente.

Na homilia, o purpurado ressaltou que “crer no Senhor não é somente aceitar uma doutrina ou adotar uma ética”, mas sobretudo é o encontro “com um evento, com uma pessoa viva”, que dá significado a nossa vida, “um encontro pessoal com o Ressuscitado” que se dá mediante a família, o trabalho, a sociedade. A missa concluiu-se com um momento de envio missionário, dirigido pelo cardeal Salazar a todos os bispos, sacerdotes e fiéis presentes.

Cruz do discípulo missionário

Foi entregue a todos uma cruz como sinal de ser discípulos missionários da Igreja latino-americana, como compromisso a ser uma Igreja missionária “pobre para os pobres”, em constante conversão pastoral e em diálogo com o mundo”.

Método ver, julgar e agir

Os quatro dias do Congresso (23 a 26 de agosto), seguindo o método tradicional do ver-julgar-agir, foram ricos de temas de caráter teológico e pastoral.

Igreja latino-americana, fonte de um novo modelo eclesial

Entre estes, a explanação da teóloga brasileira Maria Clara Bingemer (Universidade Católica do Rio de Janeiro), sobre a relação entre a Conferência de Medellín e o magistério do Papa Francisco: cinquenta anos atrás o olhar dos bispos se concentrou na opção preferencial pelos pobres e a Igreja latino-americana deixou de ser um reflexo da Igreja europeia, para ser, ao invés, “fonte de um novo modelo eclesial”; hoje o Papa Francisco dá vida com seu magistério à mesma opção preferencial, em continuidade com a Conferência de 1968.

Desenvolvimento humano integral

Pe. Pedro María Trigo Durá, teólogo jesuíta venezuelano, evidenciou que a “vontade de Deus para a América Latina é o desenvolvimento integral e, por conseguinte, a Igreja é chamada a favorecer a realização da pessoa humana a partir de um desenvolvimento integral, considerando que a vida está dentro da história”.

Por fim, Cristiano Morsolin, especialista em direitos humanos na América Latina, declarou à agência Sir que “o Congresso de Medellín reconduz à raiz histórica da opção preferencial pelos pobres e a reatualiza com o magistério do Papa Francisco, inclusive em chave não eurocêntrica”.

(L’Osservatore Romano)

30 agosto 2018, 14:23