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Episódios de violência e ataques na região somali, no leste da Etiópia, causaram vítimas civis e levaram inúmeras pessoas a fugir no último final de semana, denuncia o patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope Abuna Mathias. Episódios de violência e ataques na região somali, no leste da Etiópia, causaram vítimas civis e levaram inúmeras pessoas a fugir no último final de semana, denuncia o patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope Abuna Mathias.  (AFP or licensors)

Igrejas convocam oração pela paz para conter violência no leste da Etiópia

Sete igrejas foram incendiadas e sacerdotes foram mortos em decorrência dos conflitos na região somali, no leste do país, desencadeados em resposta à presença de forças federais etíopes na cidade de Jijiga, capital regional somali.

Cidade do Vaticano

O patriarca Matthias I e o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Tewaheb da etiópia convocaram os fiéis para jejuar e rezar nestes dias que precedem a Solenidade Litúrgica da Dormição da Santa Mãe de Deus - celebrada em 15 de agosto - para invocar o dom da paz e da reconciliação em Jijiga e na região dos somali, depois das violências dos dias passados que deixaram ao menos 30 mortos.

Sete igrejas ortodoxas queimadas, sacerdotes assassinados

 

A Igreja Ortodoxa etíope também foi vítima da violência. Segundo informações fornecidas pela mídia local, ao menos sete igrejas ortodoxas foram atacadas e incendiadas. Outras fontes locais falam de ao menos seis sacerdotes e diversos fiéis assassinados.

Origem da violência

 

Os conflitos tiveram início na última semana, quando homens armados das milícias Liyu de etnia somali, sob as ordens de Abdi Illey (presidente da região dos somali), tentaram interromper um encontro entre os membros do parlamento regional e representantes da população da cidade de Dire Daua, para denunciar a violação dos direitos humanos na região.

O exército etíope interveio para deter o conflito e proteger prédios de instituições, incluindo o prédio do Parlamento regional e o Palácio presidencial do próprio Abdi Illey. Uma intervenção em larga escala, à qual se seguiram os ataques contra objetivos ligados às etnias minoritárias, fomentados por membros das milícias Liyu.

Foi o próprio patriarca da Igreja Ortodoxa Etíope Abuna Mathias a denunciar a violência e a fuga de civis que se seguiu.

A embaixada dos EUA em Adis Abeba havia afirmado que "no final de semana o exército etíope assumiu o controle das principais estradas, edifícios públicos e do aeroporto de Jijiga".

Os habitantes da cidade precisaram à Agência France-Presse que os manifestantes passaram a depredar bancos e lojas, e também agrediram algumas pessoas pertencentes à etnia somali.

De acordo com a Frente de Libertação Nacional de Ogaden, na luta para "libertar" a região somali, houve "perda de vidas", não confirmadas por fontes oficiais. O movimento pediu ao primeiro-ministro Abiy Ahmed que suspendesse as operações militares e iniciasse um diálogo de paz.

Auxílio aos deslocados

 

Até o momento - referem fontes oficiais da Igreja Ortodoxa Tewahedo - mais de 20 mil etíopes deslocados estão sendo assistidos pelas paróquias ortodoxas de Jijiga.

A Igreja liderada pelo patriarca Matthias I é a única instituição eclesial autóctona e de direta derivação apostólica na África Subsaariana. "A chave da unidade entre as Igrejas - disse o Papa Francisco ao patriarca etíope em 29 de fevereiro de 2016 - está hoje precisamente no ecumenismo dos mártires". 

Federalismo étnico

 

Segundo país mais populoso da África, a Etiópia é formada por nove regiões administrativas e se inspira no modelo do federalismo étnico, que garante uma ampla autonomia para cada região. Esse modelo federal, fundado em bases étnicas, gera frequentes problemas entre as diferentes comunidades, reavivando sentimentos de pertença étnica e antigas disputas territoriais não resolvidas.

Organizações de direitos humanos - referem agências internacionais - relataram repetidas graves violações pelo governo regional da Somália, incluindo tortura.

Instabilidade e distúrbios dizem respeito principalmente aos estados dos somalis e oromos, que em 2017 teriam causado cerca de um milhão de pessoas deslocadas.

Os oromos representam 34,4% da população etíope, os aimarás 27,0%, somalis 6,2%, tigrinas 6,1%, sidamos 4,0%, gurages 2,5%, outros 19,8%.

Acordo de paz com a Frente de Libertação Oromo 

 

Conflito com os somali e paz com os oromo. O governo da Etiópia assinou um acordo para acabar com as hostilidades com a Frente de Libertação Oromo, que havia sido declarado como um movimento terrorista, informou a televisão estatal na terça-feira.

O acordo é mais um passo do primeiro-ministro Abiy Ahmed para melhorar a segurança e as relações diplomáticas, reformar instituições e abrir parte da economia controlada pelo Estado.

Desde a década de 1970, os rebeldes combateram pela autodeterminação da região de Oromiya, que é a maior da Etiópia e sede do grupo étnico oromo.

O OLF ​​fez parte inicialmente de um governo de transição criado em 1991 por rebeldes da coalizão EPRDF, que tirou Mengistu Haile Mariam do poder, mas logo se retiraram da coalizão.

Na terça-feira, o governo assinou um acordo de reconciliação para acabar com as hostilidades com o líder exilado da OLF Dawud Ibsa, que vive em Asmara, capital da vizinha Eritréia, disse o ministro da Informação da Eritreia, Yemane Gebremeskel.

"O acordo afirma ainda que a OLF conduzirá suas atividades políticas na Etiópia por meios pacíficos", disse ele no Twitter. O acordo foi assinado em Asmara.

O grupo declarou um cessar-fogo unilateral no mês passado depois que o Parlamento o retirou de uma lista de grupos terroristas proibidos dos quais faz parte desde 2008.

Abiy assumiu o cargo em abril e suas reformas incluíram a oferta de um ramo de oliveira a dissidentes no exterior.

 

 

08 agosto 2018, 09:11