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Dom António Augusto Azevedo, bispo auxiliar do Porto Dom António Augusto Azevedo, bispo auxiliar do Porto 

Sínodo: D. António Augusto Azevedo será delegado

O bispo auxiliar do Porto vai ser um dos delegados portugueses ao próximo Sínodo dos Bispos e considera que os jovens, de uma forma muito verdadeira, têm dado contributos preciosos para o Sínodo que lhes é dedicado.

Rui Saraiva – Porto

O Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens realiza-se no Vaticano de 3 a 28 de outubro deste ano de 2018. De destacar que no mês de março passado estiveram no Vaticano 300 jovens a preparar a XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos de outubro. Foi um evento que ficou conhecido como o pré-Sínodo. Três dos jovens eram portugueses. Online participaram mais de 15 mil jovens.

Nesse evento pré-Sínodo os jovens pediram uma Igreja credível, autêntica, alegre e comunicativa. Da reflexão surgiu um documento debatido em 20 grupos linguísticos que foi entregue ao Santo Padre no Domingo de Ramos. Nesse texto os jovens afirmam o anseio de um estilo de Igreja que seja transparente e acolhedora que não repita erros do passado, sobretudo nos casos de abusos sexuais e de má administração das riquezas e do poder na Igreja.

No documento entregue ao Papa Francisco os jovens revelam preocupações ambientais e dizem que querem radicar-se em Jesus Cristo. Declaram querer ser uma “presença alegre, entusiasta e missionária no interior da Igreja”.

Grande atenção dada pelos jovens à evangelização através da linguagem multimédia recorrendo às artes e à cultura. Assinalam a importância dos momentos de adoração, meditação e contemplação, mas também a necessidade de testemunhar socialmente a fé. Destacam a prática da sinodalidade como forma de diálogo com a hierarquia da Igreja e reveladora de uma cultura de abertura.

Entretanto, foi já publicado pelo Vaticano, no passado dia 19 de junho o Instrumento de Trabalho para o Sínodo. Algumas das principais questões levantadas neste documento, que contou com mais de 100 mil respostas ao questionário online, referem-se a temas como o desemprego, as redes socias, a pobreza e a educação. Atenção especial também para o papel central das famílias e das relações intergeracionais face a uma cultura global dominada pelo individualismo. Apresenta preocupações com a discriminação das mulheres, a corrupção, as migrações forçadas, a toxicodependência, o alcoolismo e os abusos sexuais. Revela, contudo, sinais positivos, tais como a participação dos mais novos em projetos de voluntariado, a consciência de um maior pluralismo e ainda as preocupações ambientais dos jovens.

O documento conclui com uma oração do Papa Francisco na qual exorta os jovens a agarrarem a sua vida olhando “para as coisas mais belas e mais profundas” conservando “um coração livre”.

As vozes portuguesas no Sínodo serão as de D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa e presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família e ainda D. António Augusto Azevedo, bispo auxiliar do Porto e presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios. D. António Augusto Azevedo prestou breves declarações. Destaca a participação dos jovens na preparação deste Sínodo e a forma muito verdadeira dos seus contributos.

P: Foi uma surpresa a sua nomeação para o Sínodo dos Jovens?

R: De certo modo foi uma surpresa, no sentido em que, a escolha partiu do conjunto dos bispos da Conferência Episcopal Portuguesa, e eu não estava, sinceramente, à espera de ser escolhido para esta representação.

P: Portanto, é uma grande responsabilidade que sente neste momento?

R: Sim, com certeza, é uma grande responsabilidade porque ao Sínodo os representantes das igrejas locais devem levar os contributos do trabalho e da reflexão feita a nível local. Interpretando a escolha dos meus colegas bispos, julgo que esta vai no sentido deste Sínodo que abarca a área da juventude associada às vocações. Creio que foi por esta linha, uma vez que eu sou o presidente da Comissão Episcopal das Vocações. Portanto, o contributo que possa levar acerca das vocações e da dimensão vocacional na pastoral dos jovens penso que pode ser útil.

P: Os jovens já estiveram reunidos em março, já deixaram por escrito algumas coisas, e uma das ideias que ficou foi a de desejarem uma Igreja mais dinâmica e mais autêntica. Têm faltado estas qualidades nos últimos tempos na Igreja, de uma maneira geral, e sobretudo no diálogo com os mais jovens? O que é que acha sobre isto, partindo da sua experiência, e até pelo facto de ser um dos bispos mais jovens de Portugal?

R: Eu creio que esse pedido dos jovens, esse desejo, de uma Igreja mais autêntica é importante. De uma forma ou de outra têm-se dado passos, nesse sentido, quer em termos pessoais quer naquilo que é a missão da Igreja nas suas estruturas. Creio que tem havido um grande esforço para essa autenticidade. Concretamente, neste Sínodo os jovens já deram mostras, em todo este longo período de auscultação e de escuta, que me pareceu extremamente rico e sugestivo, parece-me que eles próprios mostraram uma profunda autenticidade. Isto é, de forma muito verdadeira, de forma muito direta, deram contributos preciosos para aquilo que será a reflexão do Sínodo. Portanto, a autenticidade que se pede à Igreja, digamos assim, diz respeito a todos. Certamente, do Papa e dos bispos, dos sacerdotes, com certeza, mas também de todos os leigos. Isto é, a cada cristão pede-se que com autenticidade testemunhe a sua fé. E o Sínodo é sobre isso: os jovens, a fé e a vocação. A questão vocacional que se coloca a cada um, e depois, a resposta vocacional só pode assentar numa base de autenticidade. Autenticidade de vida, autenticidade de fé. Porque sem essa base não teria sentido e não teria bom desfecho. Portanto, este Sínodo, creio eu, vai significar um grande contributo para se encarar a questão vocacional de outra forma e para uma reativação e reanimação da pastoral vocacional em Portugal e espero que também na diocese.

Era D. António Augusto Azevedo, bispo auxiliar do Porto que será um dos delegados portugueses ao próximo Sínodo dos Bispos. O outro delegado será D. Joaquim Mendes, bispo auxiliar de Lisboa.

O Sínodo dos Bispos dedicado aos jovens realiza-se no Vaticano de 3 a 28 de outubro deste ano de 2018.

Laudetur Iesus Christus

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04 julho 2018, 11:46