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Apoiadores de Daniel Ortega fizeram manifestações em 7 de julho, em Manágua Apoiadores de Daniel Ortega fizeram manifestações em 7 de julho, em Manágua  (AFP or licensors)

"Não é assim que se constrói a paz", adverte cardeal nicaraguense

O cardeal Leopoldo Brenes responsabilizou diretamente Ortega, sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo, e o segundo chefe da Polícia da Nicarágua, Francisco Díaz, pela violência que a Nicarágua está sofrendo desde a explosão social de 18 de abril. "Não é desta forma que a paz é construída", advertiu.

Cidade do Vaticano

O governo de Daniel Ortega afirmou no domingo, 8, que as eleições de 2021 não serão antecipadas para março de 2019, como haviam solicitado amplos setores da sociedade para deter a crise que já provocou mais de trezentos mortos nos protestos iniciados em abril.

Somente no domingo outras 11 pessoas – duas delas policiais - morreram e outras 30 ficaram feridas durante protestos antigovernamentais nas localidades de Diriamba, Dolores e Jinotepe, ao sul de Manágua.

"Nós celebramos esta Eucaristia nesta atmosfera de penitência, tristeza, dor, porque (esta) não é a forma que se constrói a paz”, disse o cardeal Leopoldo Brenes em sua homilia na Missa celebrada na Catedral de Manágua.

O arcebispo de Manágua responsabilizou diretamente Ortega, sua mulher, a vice-presidente Rosario Murillo, e o segundo chefe da Polícia da Nicarágua, Francisco Díaz, pela violência que a Nicarágua está sofrendo desde a explosão social de 18 de abril. "Não é desta forma que a paz é construída", advertiu.

"Ao Presidente Daniel, a Rosario, ao Comissário Geral Francisco Díaz, por favor, em nome de Deus, em nome deste povo católico presente nesta catedral, parem com esta ação, que trará mais dor e tristeza. Queiram ou não, esta situação afeta homens, famílias e toda a triste Nicarágua", disse o purpurado.

 

Em sua aparição pública no sábado, Ortega mostrou sua rejeição "àqueles que lançam maldições e nos sentenciam à morte em nome de instituições religiosas".

O bispo auxiliar de Manágua, Dom Silvio José Báez, respondeu no Twitter mais tarde, que "se Daniel Ortega está pensando na Igreja Católica quando se refere à 'instituções religiosas', já deveria ter claro que a Igreja Católica não tem medo, que busca sempre a paz que brota da justiça e que está sempre ao lado dos pobres e das vítimas".

Tanto a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) quanto o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (OHCHRUDH) responsabilizaram o governo nicaraguense pelas sérias violações de direitos humanos.

As violações incluem "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus-tratos, possível tortura e detenções arbitrárias cometidos contra a população predominantemente jovem do país," de acordo com a Comissão, e que o Governo da Nicarágua rejeitou.

A Nicarágua está passando pela mais sangrenta crise sociopolítica desde os anos 1980, com Ortega também como presidente.

Os protestos contra o governo começaram em 18 de abril contra a reforma da previdência, passando então a exigir a renúncia do presidente, após onze anos no poder, com acusações de abuso de poder e corrupção.

(Com Agências)
 

09 julho 2018, 11:24