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O drama dos venezuelanos obrigados a abandonar o país não foi esquecido na mensagem do episcopado O drama dos venezuelanos obrigados a abandonar o país não foi esquecido na mensagem do episcopado  (AFP or licensors)

O comunicado dos bispos venezuelanos na conclusão da Assembleia Plenária

Os bispos venezuelanos oferecem à nação uma mensagem forte, dramática e ao mesmo tempo cheia de esperança: "Não tenham medo, porque estou convosco", é o título da exortação pastoral divulgada ao final dos trabalhos de sua assembléia plenária.

Cidade do Vaticano

"A situação no país é cada vez mais grave. A maior parte da população não tem meios para enfrentar  a monstruosa hiperinflação. A qualidade de vida dos venezuelanos, já fortemente precária, se deteriora dia a dia". E a "diáspora" silenciosa causada pela emigração crescente está tirando forças preciosas da sociedade. No entanto, "Deus está sempre ao lado do seu povo" e neste momento, mais do que nunca, é necessário não desistir. Os leigos, acima de tudo, são chamados a fazer ouvir a sua voz e a se engajar na política.

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Os bispos venezuelanos, no final de sua assembleia plenária, oferecem à nação uma mensagem forte, dramática e ao mesmo tempo cheia de esperança.

A situação atual na Venezuela "em grande tribulação"

"Não tenham medo, porque eu estou com vocês", é o título da exortação pastoral divulgada em 11 de julho, no final dos trabalhos.

No texto - informa a agência Sir - a atual situação na Venezuela é definida como "uma grande tribulação" e é explicado que "aos graves problemas que repetidamente destacamos em nossas exortações e comunicados, relacionados às áreas de alimentos, saúde, serviços públicos (água, eletricidade, comunicações e tráfego), segurança pessoal, local de trabalho e renda, agora se somam os problemas de circulação de dinheiro e transporte público”.

Governo "principal responsável"

Na exortação, a Conferência Episcopal Venezuelana (CEV) aborda antes de tudo o problema político: "O principal responsável pela crise que estamos vivendo é o governo nacional, pelo fato de colocar seu projeto político diante de qualquer outra consideração, inclusive a humanitária".

Além disso, "não se pode esperar resolver a situação de uma economia falida com medidas de emergência como sacolões ou vales". Pelo contrário, a ação do governo deveria colocar em primeiro lugar “o cidadão, o venezuelano, o homem concreto e as mulheres que sofrem e sofrem com a situação atual”. Ignorar o povo, enquanto finge falar em seu nome, é típico "dos regimes totalitários, que sempre acabam com o desprezo da dignidade da pessoa humana".

Eleições ilegítimas

Os bispos voltam a criticar as eleições do final de maio, já definidas como ilegítimas, que só serviram "para prolongar o mandato do atual presidente". A altíssima abstenção, "inédita em uma eleição presidencial, é uma mensagem silenciosa de rejeição dirigida àqueles que pretendem impor uma ideologia totalitária, contra a opinião da maioria da população".

Foi assim tirada das instituições atuais "a elementar liberdade de eleger seus governantes em uma disputa eleitoral justa, com autoridade imparcial, sem fraude e favoritismo". No entanto, de acordo com a CEV, "é suicida insistir em um caminho de autodestruição que se voltará contra seus promotores".

Uma menção também à oposição, chamada a "oferecer ao povo alternativas de mudança e trabalhar com mais força para o seu bem-estar".

Um país da diáspora

O segundo ponto do documento é dedicado ao fenômeno da emigração. "A Venezuela está se transformando em um país da diáspora", escrevem os bispos. "As mãos que construíam e produziam, mentes que buscavam e ensinavam, estão nos abandonando para ir para a outros países. A emigração produz situações dramáticas: a dura luta para encontrar uma acomodação em um país estrangeiro; a possibilidade de cair no vício ou na prostituição, ou nas mãos de redes de exploração; o estigma da rejeição; a tristeza dos entes queridos que ficam aqui; o retorno a uma situação de ruína por aqueles que não conseguiram encontrar um lugar".

Os bispos reconhecem que "muitas destas situações encontraram alívio graças à ajuda generosa que Igrejas irmãs de países vizinhos deram aos nossos compatriotas. Agradecemos a elas de todo o coração".

Infelizmente, porém, "aqueles que foram, especialmente os jovens, constituem um talento humano que está sendo perdido para a construção de nosso país. Se aos venezuelanos tivesse sido oferecida alguma esperança para o futuro, eles não teriam que emigrar. A Venezuela aguarda o retorno de seus filhos para retomar o caminho do progresso saudável ".

Que os leigos façam política

A Palavra de Deus nos assegura que "Deus está sempre ao lado de seu povo, especialmente nas horas mais difíceis". Na terceira e quarta parte da mensagem pastoral, os bispos evocam o Livro do Êxodo. E especificam, então, os contornos de sua intervenção atual e futura na vida social e levar ajuda aos necessitados.

"A Igreja – lê-se na exortação - não pretende substituir, em seu papel e na sua vocação, aqueles que se ocupam da política. Não aspira à hegemonia do panorama social ou mesmo a tornar-se uma força de governo ou oposição. No entanto, estimula os leigos, devidamente formados e conscientes de seus deveres e direitos de cidadania, de fazer ouvir sua voz e intervir ativamente no debate político, com o objetivo de que os elevados princípios e valores que a fé cristã nos transmite, sejam vividos também em esfera pública e se traduzam em ações que visem o bem comum".

O convite à solidariedade

Por fim, a Conferência Episcopal reafirma o apelo à solidariedade, salientando que as Dioceses e as diversas instituições eclesiais "deram origem a uma ampla campanha de ajuda aos mais necessitados, especialmente no que diz respeito à alimentação e ao acesso a medicamentos". Uma ação a ser "continuada e fortalecida, com o generoso apoio de tantos fiéis". Sem esquecer, no entanto, como já foi dito, a necessidade de uma transformação estrutural da sociedade venezuelana.

 

13 julho 2018, 10:25