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O Papa pediu aos bispos que convidassem e acolhessem estes missionários, para que fossem pregadores atuantes da misericórdia O Papa pediu aos bispos que convidassem e acolhessem estes missionários, para que fossem pregadores atuantes da misericórdia  (AFP or licensors)

Missionários da Misericórdia: ministros do coração misericordioso de Jesus

Aos Missionários da Misericórdia o Papa Francisco concedeu a faculdade de absolver pecados que são reservados a Sé Apostólica, e que são cinco de acordo com direito canônico: a profanação das espécies consagradas (Eucaristia), a violência física contra o Papa, a ordenação episcopal sem o mandato pontifício, a tentativa da absolvição do cúmplice no pecado contra o sexto mandamento e a violação direta do segredo de confissão.

Padre Arnaldo Rodrigues e Bianca Fraccalvieri - Cidade do Vaticano

Um dos frutos do Jubileu Extraordinário da Misericórdia foi a instituição dos Missionários da Misericórdia. Padres que com a aprovação de seus respectivos bispos, foram confirmados pelo Santo Padre para reconduzir a reconciliação todos aqueles que procurarem a misericórdia de Deus.

No primeiro encontro com os missionários da misericórdia, em 9 de fevereiro de 2016, o Papa recordou que a Igreja é Mãe inclusive porque oferece o perdão de Deus, regenerando para uma nova vida, fruto da conversão. Não podemos correr o risco de que um penitente não sinta a presença materna da Igreja que o acolhe e ama.

E convidou aos missionários a refletir que além de serem também pecadores, são chamados a se tornarem este canal da misericórdia de Deus: Ao entrar no confessionário, recordemo-nos sempre que é Cristo que acolhe, é Cristo que ouve, é Cristo que perdoa, é Cristo que doa a paz. Somos os seus ministros; e os primeiros a ter necessidade de sermos perdoados por Ele. Portanto, seja qual for o pecado que é confessado — ou que a pessoa não ousa dizer, mas faz de modo que o entendamos, é suficiente — cada missionário está chamado a recordar a própria existência de pecador e a pôr-se humildemente como «canal» da misericórdia de Deus – afirmou o Papa.

Padre Vanderley Oliveira, da Diocese Volta Redonda, foi um dos sacerdotes escolhido e confirmado pelo Papa Francisco. Em entrevista ao Vatican News, ele fala sobre o seu chamado e como foi sua experiência como missionário.

Padre Wanderlei, o que é o Missionário da Misericórdia e qual o seu papel especifico?

“Os missionários da misericórdia são sacerdotes indicados das várias dioceses do mundo, para que com suas capacidades pastorais e espirituais, especialmente a escuta, eles sejam anunciadores, especialmente no Jubileu da Misericórdia. Que eles fossem missionários anunciadores da misericórdia de Deus. Confessores humildes capazes de perdoar a quem se aproxima e pede o Sacramento da Penitência.

Lembro-me que na época em que fomos chamados, o Papa Francisco assim disse na Bula de convocação do Jubileu: eles serão sinal da solicitude materna da Igreja pelo povo de Deus, para que entrem com profundidade na riqueza deste mistério tão fundamental para a fé.

São missionários de diversas regiões dos 5 continentes, inclusive aquelas muito conflituosas como Líbano, Emirados Árabes, China e Egito, principalmente nos lugares onde existam conflitos por causa da presença dos cristãos. O Papa deseja que nestes recantos do mundo, a presença misericordiosa de Deus se faça atuar”.

Como as dioceses deveriam se organizar para a atuação destes Missionários da Misericórdia?

“O Papa pediu aos bispos que convidassem e acolhessem estes missionários, para que fossem pregadores atuantes da misericórdia. Dentro deste processo, o Papa sugeriu que as dioceses organizassem missões populares, de modo que estes missionários pudessem ser anunciadores da alegria do perdão.

O trecho próprio da Misericordie Vultus que o Papa Francisco escreveu, para a criação e inauguração do Ano Santo, diz: é minha intenção enviar os missionários da misericórdia. Acredito que tenha sido uma inspiração de Deus no coração do Santo Padre para criar esta experiência da presença misericordiosa do Senhor no meio do seu povo. Serão os missionários da misericórdia, porque se farão junto de todos artificies de um encontro cheio de humanidade, fonte de libertação, rico de responsabilidade para superar os obstáculos, e retornar a vida nova no batismo, disse o Papa”

Quais foram as faculdades dispensadas aos Missionários da Misericórdia, reservadas a Santa Sé?

“Sabemos que a estes missionários, o Papa concedeu a faculdade de absolver pecados que são reservados à Sé Apostólica, e que são cinco de acordo com direito canônico: a profanação das espécies consagradas (Eucaristia), a violência física contra o Papa, a ordenação episcopal sem o mandato pontifício, a tentativa da absolvição do cúmplice no pecado contra o sexto mandamento e a violação direta do segredo de confissão. Eram pecados reservados à Santa Sé e o Papa concedeu a faculdade também a estes missionários”.

Como Missionário de Misericórdia, quais foram as experiências pastorais que o senhor se recorda?

“Eu me senti gratificado com a possibilidade de participar do número dos missionários da misericórdia quando ainda estava em Roma. Fomos escolhidos para fazer parte deste grupo de homens que têm este grande dever de levar e ser presença misericordiosa de Deus no meio das pessoas.

Lembro de algumas experiências que fizemos na Diocese de Treviso  e também na Sardenha, exercitando este ministério em meio às pessoas, principalmente no período da Quaresma e da Páscoa. E Isto nos fez realmente entender o que o Papa desejava. As pessoas que nos procuravam por causa desta missão que tínhamos, e temos, foram experiências onde pudemos ver os frutos abundantes acontecendo a partir de um desejo do coração  do Papa, de levar as pessoas a misericórdia de Deus em forma de Sacramento, em forma de aconselhamento, em forma de escuta das pessoas e da acolhida em suas reais situações”.

Esta missão continuará?

"O Santo Padre diante destas muitas ressonâncias dos frutos espirituais que derivavam do ministério dos missionários, decidiu que este sinal da misericórdia divina continuasse na Igreja até novas disposições. Por isso na Carta Apostólica misericordia et misera, que escreveu e ofereceu a toda a Igreja no dia 20 de novembro de 2017, no encerramento do jubileu e fechamento da porta santa, estabeleceu que “não terminasse com o encerramento da porta santa – e continuou - De fato eu desejo que permaneça ainda o ministério dos missionários da misericórdia ate novas ordens, como um sinal concreto de que a graça do Jubileu que continua a ser viva e eficaz nas varias partes do mundo – disse o Papa.

Acredito que o mesmo vigor, a mesma realidade que nós experimentamos com o jubileu da misericórdia, continua atuando ainda hoje nos missionários que com a autorização de seus respectivos bispos, foram reconfirmados pelo Papa. Testemunho que o vigor continua o mesmo, porque a misericórdia de Deus é amor puro e atuante da mesma forma, em mesmo grau e intensidade o tempo todo.

Experimentamos não somente nos tempos fortes da Igreja, como a quaresma, mas em todos os momentos e a cada encontro que fazemos com os nossos irmãos necessitados da misericórdia. Sentimos o grande vigor da força do perdão e da misericórdia de Deus. Vamos realizar neste próximo domingo, celebrar a festa da Divina Misericórdia, e com certeza falaremos, anunciaremos o grande amor de Deus para com toda a humanidade, através do Coração misericordioso de Jesus, oferecendo-lhes todas as possibilidades que eles necessitam para que se encontrem com este coração misericordioso".

Missionários da Misericórdia: ministros do coração misericordioso de Jesus
07 abril 2018, 09:57