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Protesto pela morte dos jornalistas Javier Ortega, Paul Rivas e Efrain Segarra Protesto pela morte dos jornalistas Javier Ortega, Paul Rivas e Efrain Segarra  (AFP or licensors)

Colômbia: o pesar dos bispos pela morte de jornalistas

Os jornalistas Javier Ortega, Paul Rivas e Efrain Segarra foram mortos após terem ficado semanas nas mãos dos sequestradores. "No sudoeste da Colômbia, a paz nunca chegou", diz Dom Olave Villanoba, bispo de Tumaco, ao comentar a situação dramática existente na fronteira com o Equador,.

Cidade do Vaticano

"No sudoeste da Colômbia, a paz nunca chegou", afirma Dom Olave Villanoba, bispo de Tumaco, ao comentar a situação dramática na fronteira com o Equador, depois da morte de três jornalistas equatorianos sequestrados, provavelmente, por grupos dissidentes de Farc colombianos

"A assinatura do acordo de paz foi muito importante para a Colômbia, mas em Tumaco a paz nunca chegou", diz o prelado,

"Em geral, posso dizer que os grupos dissidentes das FARC controlam a produção e o tráfico de cocaína. Em particular – relata à Agência Sir - três grupos estão travando uma batalha pelo controle do mercado de drogas".

"O Equador está um pouco além do rio, na prática a fronteira não existe, conclui. Como Igreja, tentamos nos comprometer ao máximo", em uma área "longe das cidades, onde faltam escolas, hospitais, possibilidades de desenvolvimento".

A importância da paz

 

Também Dom Luis Cabrera Herrera, arcebispo de Guayaquil e vice-presidente da Conferência Episcopal do Equador, recorda a importância da paz.

"Jesus - escreveu ele em uma nota - nos oferece sua paz, mas não como resultado da imposição de armas ou da venda de consciência, liberdade ou dignidade. A sua paz brota do sentir-se amado e perdoado por ele".

Os bispos dirigem um apelo "aos governos do Equador e da Colômbia, para criar ou consolidar condições de vida mais dignas, fraternas e justas, especialmente na área de fronteira, desenvolvendo oportunidades de trabalho e políticas de bem-estar social e fortalecendo ao mesmo tempo sistemas de segurança ".

Irmãs Scalabrinianas: alarme por uma violência crescente

 

A existência de uma situação dramática também é ressaltada pela Irmã Maria Lélis da Silva, à frente da Missão Scalabriniana no Equador: "A fronteira tornou-se muito perigosa", explica ela. "Os grupos guerrilheiros dissidentes da Colômbia começaram a se reorganizar e se ramificar. Uma situação que traz consigo todos os tipos de violência: execuções sumárias, tráfico, extorsão. Algumas áreas perto da cidade de Mataje foram minadas".

Trabalhar na prevenção

 

A religiosa acrescenta que "os sinais do que estava prestes a acontecer não faltaram. O mais importante é sempre trabalhar na prevenção". E cita, por exemplo, alguns comunicados recentes, como o das diferentes realidades eclesiais, divulgado em fevereiro passado, no qual se pedia que a resposta aos atentados não fosse apenas militar e de segurança pública, mas sobretudo de atenção ao desenvolvimento e respeito ao respeito dos direitos.

Os jesuítas: território nas mãos de narcotraficantes

 

Por sua parte, Fernando López, diretor do Serviço Jesuíta de Refugiados (SJR), explicou à Agência Sir que "trata-se de uma situação dolorosa e nova para o Equador, violenta e absurda. Eu sou colombiano, mas moro no Equador há muito tempo. Com estes acontecimentos, vejo uma continuidade com a situação colombiana das últimas décadas, mas certas coisas acontecem aqui pela primeira vez ".

Uma crise que vem de longe

 

Não obstante isto, o diretor do SJR explica que a situação, ainda que inédita, vem de longe: "A fronteira entre os dois países é muito permeável, durante os anos da guerra colombiana 250 mil pessoas se refugiaram aqui. E já há algum tempo, pessoas ligadas à guerrilha também entraram".

Por outro lado, "é o resultado de um grande abandono deste canto do país, que estamos testemunhando. Assim o território está nas mãos das rotas do tráfico de drogas, comércio de armas, tráfico”.

A resposta militar não é uma solução, é preciso a presença do Estado

 

Além da fronteira, na Colômbia, o Estado está praticamente ausente. E aqui no Equador o novo governo não deu continuidade a projetos que foram iniciados". Em suma, "os militares não podem ser a única resposta, o estado deve estar totalmente presente".

As palavras do Papa

 

Digno de nota que no Regina Coeli no último domingo, 15 de abril, o Papa Francisco recordou o dramático assassinato dos jornalistas com estas palavras:

"Com dor recebi a notícia do assassinato de três homens sequestrados no final de março na fronteira entre o Equador e a Colômbia. Rezo por eles e por suas famílias, e estou próximo ao querido povo equatoriano, encorajando-os a ir adiante unidos e pacíficos, com a ajuda do Senhor e de sua Mãe Santíssima". (Agência Sir)

 

17 abril 2018, 14:17