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Novo presidente do Peru, Martin Vizcarra Novo presidente do Peru, Martin Vizcarra  (AFP or licensors)

Bispos peruanos: recuperar ética e moral do país em todos os níveis

“Neste momento crucial – dizem os bispos na mensagem - é urgente colocar o bem comum acima de interesses particulares". Ligações com Odebrecht derrubaram ex-presidente do Peru Kuczynski.

Cidade do Vaticano

“Chegamos a um ponto de ruptura em nível político. Um novo início exige não somente uma mudança de mandato, mas a recuperação ética e moral do país em todos os níveis, porque os altos níveis de corrupção roubam a esperança, sobretudo dos pobres e dos jovens”.

Esta é uma das passagem da mensagem divulgada pela Conferência Episcopal peruana após a demissão apresentada pelo presidente Kuczynski e aceita na noite da última quinta-feira pelo Congresso peruano. Assumiu o vice, Martín Vizcarra, que deverá ficar no poder até o final do mandato, em 2021.

O ex-presidente Kuczynski foi acusado de “incapacidade moral” por ter tentado ocultar suas ligações com a empreiteira Odebrecht, envolvida em escândalos de corrupção em vários países, não somente da região.

A divulgação de um vídeo comprovando tentativas de compra de voto de alguns congressistas precipitou a situação, levando à demissão do presidente.

A mensagem dos bispos peruanos

 

A nota dos bispos é assinada pelo Presidente da CEP, Dom Miguel Cabrejos Vidarte, arcebispo de Trujillo, pelo primeiro vice-presidente, Dom Pedro Barreto Jimeno, arcebispo de Huancayo;  pelo segundo vice-presidente, Dom. Robert Prevost, bispo de Chiclayo; pelo secretário geral, Dom Norberto Strotmann, bispo de Chosica.

Na mensagem, a Conferência Episcopal convida a colocar em primeiro lugar o bem comum, oferecendo ao mesmo tempo uma visão realista do que está acontecendo no país.

“Constatamos que existe um processo sistemático de corrupção, provocado pelo divórcio entre ética e política, fortalecido por ambições pessoais e de grupo, agravado pela impunidade e negligenciado por um sistema que ignora a justiça”.

“Cumprir o dever constitucional de governar é uma responsabilidade de todos os poderes do Estado. Nenhuma autoridade pode sentir-se dispensada disto. Quem assumir a presidência do Peru deverá promover e receber o apoio de todas as forças sociais, para gerar um “Acordo de governo”, passo por passo”.

Os bispos também lançaram um apelo aos cidadãos para que se comprometam com a política e aceitem assumir cargos públicos, “conscientes do compromisso de servir a pátria e não de servir-se da política para os próprios interesses”.

“Neste momento crucial – lê-se ainda na nota - é urgente colocar o bem comum acima de interesses particulares. Recuperemos os valores éticos e morais que construíram a essência da nação peruana. Não há nada de mais contrário à mensagem cristã do que o individualismo: viver sem pessoas próximas e aproveitar-se disto”.

“Queremos caminhar com todos os cidadãos – concluem os bispos – para participar com vigilância dos processos que promovam a vida democrática do país e das suas instituições”, e por consequência, – como disse o Papa Francisco durante sua visita em 19 de janeiro - “criar um Peru que tenha espaço para todos, em que se possa realizar a promessa da vida peruana”.

(Agência Sir)

26 março 2018, 09:23