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Terra Santa  - Conferência Centro Notre Dame Terra Santa - Conferência Centro Notre Dame  (Nadim Asfour)

Hebreus, cristãos e muçulmanos juntos para salvar o planeta

No Centro de Congressos Notre Dame de Jerusalém, hebreus, cristãos e muçulmanos se reuniram para refletir, à luz da Encíclica Laudato si, sobre como proteger a Casa comum juntos. Cardeal Turkson: “é necessário trabalhar por uma verdadeira conversão ecológica”

Beatrice Guarrera - Jerusalém

O cuidado da Criação a partir da Encíclica do Papa Francisco Laudato si, foi o tema da conferência que se realizou nesta segunda-feira (12/3) no centro Notre Dame de Jerusalém. O objetivo do encontro foi apresentar a encíclica do Papa à sociedade israelense e palestina, discutir juntos sobre a salvaguarda da “Casa comum” e sobre “ecologia integral”, com o olhar das três religiões monoteístas que juntas podem cooperar na realização do bem comum. Respondendo ao convite do Papa que, na Encíclica se dirige “a cada pessoa que vive neste planeta”, os palestrantes falaram diante de um público diversificado de cristãos, hebreus e muçulmanos.

Trabalhar por uma verdadeira “conversão ecológica”

No evento, organizado pela Comissão Justiça e Paz e Integridade da Criação da Custódia da Terra Santa, esteve também presente o cardeal Peter Turkson, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Após os saudações de boas-vindas do Custódio da Terra Santa, Fr. Francesco Patton, o cardeal Turkson insistiu nos cinco desafios a serem enfrentados para a construção de uma ecologia integral: exclusão, indiferença, iniquidade, falta de solidariedade e depois os conflitos que afligem muitos países e populações. Segundo o cardeal Turkson, seguindo traços da Laudato si, precisamos trabalhar por uma verdadeira “conversão ecológica”, que não seja isolada, mas sim comunitária.
“Não se pode falar de ecologia integral”, disse Turkson, “sem reconhecer o fato de que o coração de tudo isso é a comunhão, manter tudo junto. Porque quando os sistemas se tornam exclusivos - ou seja, colocam alguém de lado - eles não são bons. Além disso, há também a desigualdade, falta de equidade, como diz o Papa Francisco: este é o outro inimigo de hoje. Ainda há a indiferença e unida a ela, a falta de solidariedade. Falando da ecologia social, a ênfase deve ser colocada na fraternidade dos povos. E se falta a solidariedade, se as pessoas não se sentem unidas, torna-se difícil alcançar esses objetivos. Então, no final, é dada grande ênfase às guerras, aos conflitos, e isso arruína tudo, não apenas a ecologia social. É necessário reverter esses esquemas”.

A contribuição das diversas religiões

Também estava presente na conferência o professor Mohammed S. Dajani Daoudi, diretor e fundador do Wasatia Academic Graduate Institute, que falou sobre o que significa “unir as forças” na tradição abraâmica judaico-cristã para proteger a Mãe Terra, enquanto o rabino David Rosen, diretor internacioanç dos Assuntos Inter-religiosos (AJC), delineou as perspectivas judaicas sobre uma ecologia integral. No final do dia, o Professor Stefano Zamagni, docente de Economia da Universidade de Bolonha e Membro da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, aprofundou o tema “Misericórdia e desenvolvimento integral do homem”.

Jerusalém: reflexão sobre a "Laudato si"
13 março 2018, 13:43