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Dom Oscar Romero inspirou escolha da data que recorda os missionários mártires Dom Oscar Romero inspirou escolha da data que recorda os missionários mártires  (ANSA)

Dia dos Missionários Mártires: de seu sangue, a vida em plenitude

A data escolhida, 24 de março, recorda o dia em que foi assassinado o arcebispo de San Salvador, Dom Oscar Arnulfo Romero , beatificado em 23 de maio de 2015.

Cidade do Vaticano

Recordar com a oração, o jejum e um gesto concreto de caridade, todos os missionários que foram mortos no mundo, mesmo aqueles desconhecidos para a maioria, e que derramaram seu sangue pelo Evangelho.

Esta é a motivação que levou em 1993 o Movimento da Juventude Missionária das Pontifícia Obras Missionárias Italianas a decidir celebrar anualmente um “Dia de Oração e Jejum em memória dos Missionários Mártires”.

A data escolhida foi 24 de março, dia em que foi assassinado o arcebispo de San Salvador, Dom Oscar Arnulfo Romero , beatificado em 23 de maio de 2015.

Tema do martírio interpela os cristãos 

 

“O tema do martírio voltou a interpelar as comunidades cristãs nos últimos anos. É um sinal positivo – escreve Giuseppe Florio, teólogo e biblista, no subsídio preparado pela Missio Italia para este dia. “A messe” da qual falam os Evangelhos pode ser grande ou pequena, mas quando no horizonte aparecem os mártires, então a mensagem profética do Evangelho está diante dos olhos de todos”.

“O convite de Ezequiel (3,17) – explica – é dirigido a um povo que não enxerga os sinais premonitórios de um drama que se consumirá dentro de pouco: a destruição de Jerusalém por mãos do rei da Babilônia, em 587 a.C.. Por isto escreve e proclama que para as sentinelas é melhor prestar atenção. Também para nós, também para “a messe”, o evento do mártir é um dom ou uma mensagem que indica a direção de marcha”.

Tema do dia: “Chamados à vida”

 

Esta ano, Missio Italia escolheu como tema do XXVI Dia, “Chamados à vida”.

“À vida verdadeira, naturalmente – explica o padre Michele Autuoro, diretor da Missio Italia -, a vida da Graça segundo o Espírito Santo, a vida daqueles que no batismo foram mergulhados na vida de Cristo para ressurgir com Ele como “nova criatura”. Com o batismo, de fato, somos incorporados a Cristo e a sua Igreja, para sempre pertencemos a Ele e com Ele participamos da vida divina trinitária, como ensina o Catecismo da Igreja Católica”.

“É a vida – prosseguiu – na qual são chamados não somente os mártires, em seu supremo testemunho de amor maior, o de dar a própria vida por aqueles que se ama, mas também todos e cada um de nós, no testemunho cotidiano de uma fé vivida na caridade e na amizade por aqueles que são privados, em qualquer parte do mundo, de uma vida plena”.

Muitas dioceses já aderiram à iniciativa

 

A iniciativa de fazer memória aos missionários que foram mortos, já difundiu-se em vários países, também em datas e circunstâncias diferentes. De fato, são muitas as dioceses e os Institutos religiosos que promovem particulares iniciativas dedicadas à recordação dos próprios missionários e de todos aqueles que derramaram o sangue pelo Evangelho.

As reflexões do Papa Francisco

 

O Papa Francisco nos recorda frequentemente que “os mártires são aqueles que sustentam a Igreja, que a sustentaram e a sustentam hoje. E de que hoje existem mais mártires do que nos primeiros séculos, a mídia não fala nada sobre isto porque não é notícia, mas tantos cristãos no mundo hoje, são bem-aventurados porque perseguidos, insultados, encarcerados (Homilia na Santa Marta, 30 de janeiro de 2017).

Desde as suas origens, a Igreja não deixa de manter viva a memória e de mostrar ao mundo, após um apurado exame, o testemunho heroico de tantos cristãos, em um martirológio que se atualiza constantemente, como se renova continuamente, em todas as latitudes, a profissão de fé de muitos seguidores de Cristo.

Os missionários mártires mais recentes

 

Entre os mais recentes “mártires” da Igreja, figuram os dois franciscanos conventuais poloneses – padre Michal Tomaszek e padre Zbigniew Strzalkowski, que junto ao sacerdote diocesano italiano padre Alessandro Dordi, foram mortos em agosto de 1991 no Peru pelo Sendero Luminoso e foram beatificados em 5 de dezembro de 2015 em Chimbote. Para a beatificação foi escolhido o lema “Mártires da fé e da caridades, testemunhas da esperança”.

Em 11 de dezembro de 2016 foram beatificados em Vientiane, no Laos, o missionário dos Oblatos de Maria Imaculada (OMI) padre Mario Borzaga e o catequista leigo laosiano Paolo Thoj Xyooj, junto a outros 15 mártires (1 sacerdote laosiano, Joseph Tien, 5 leigos laosianos, 5 missionários OMI franceses e 4 missionários MEP franceses).

Em  24 de maio de 2014 foram beatificados os missionários do PIME (Pontifício Instituto Missões Exteriores) padre Mario Vergara e o catequista Isidoro Ngei Ko Lat, mortos mártires na Birmânia em maio de 1950.

“Que a sua heroica fidelidade a Cristo possa ser de encorajamento e de exemplo aos missionários e especialmente aos catequistas que nas terras de missão desenvolvem uma preciosa e insubstituível obra apostólica, pela qual toda a Igreja é agradecida a eles”. (Papa Francisco, 21 maio de 2014).

23 março 2018, 20:14