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Manifestação, em Lomé, pelo restabelecimento da Constituição de 1992 Manifestação, em Lomé, pelo restabelecimento da Constituição de 1992  (AFP or licensors)

Togo: Bispos promovem Semana de Oração pela Paz no país

A Igreja católica acompanha esse processo rezando e trabalhando pela paz.

Cidade do Vaticano

Está em andamento, na República Togolesa, a Semana de oração pela paz no país.

A iniciativa é promovida pela Conferência Episcopal do Togo a fim de abrir perspectivas para por fim à crise, e em prol do diálogo nacional entre as várias partes políticas.

Confrontam-se o Governo e a coalizão de 14 partidos da oposição que organizaram manifestações durante cinco meses, pedindo a renúncia do Presidente Gnassingbé e o restabelecimento da Constituição de 1992. A Igreja católica acompanha esse processo rezando e trabalhando pela paz.

Segundo a Agência Fides, a mesa de negociações terá início daqui a três dias. Numa carta aberta, os bispos convidam as pessoas de todas as paróquias do Togo a participarem de uma adoração eucarística especial de 24 horas, na próxima sexta-feira, 23, e a organizarem uma semana de Via-Sacra.

No texto, assinado pelo Presidente da Conferência Episcopal Togolesa, Dom Benoît Alowonou, os bispos exortam os fiéis a se unirem em comunhão com o Papa Francisco, que convocou o Dia de oração pela paz, na próxima sexta-feira (23/02), na República Democrática do Congo, no Sudão do Sul, e demais países do mundo, a fim de pedir a Deus a conversão dos corações, especialmente daqueles que governam esses países e dos que estão envolvidos de alguma forma.

Numa mensagem dirigida aos políticos católicos, o Pe. Pierre Marie-Chanel Affognon declara: “É urgente para todo político e para cada homem e mulher de boa vontade, assumir as próprias responsabilidades, comprometendo-se mais pela paz social, que requer necessariamente justiça social, Estado de direito e democracia.”

“O amor pela verdade nunca deve deixar o debate político”, acrescenta Pe. Affognon, incentivando os participantes ao diálogo “a rejeitar a mentira, o orgulho, o egocentrismo que desestabilizaram a convivência e o desenvolvimento integral do país”. O sacerdote togolês pede aos políticos para considerar a Doutrina Social da Igreja no governo do país.

Em 19 de fevereiro, por ocasião da cerimônia de abertura do encontro de diálogo denominada “Lomé 2018” o presidente de Gana, Nana Akufo-Addo, sublinhou a sua neutralidade, o seu papel de facilitador e o seu desejo de ver o Togo crescer rumo ao Estado de direito.

“Este é o desafio de nossa geração na África. É importante que nós líderes consigamos resolver os problemas nacionais, pois isso favorecerá o progresso e o bem-estar de nosso povo”, declarou Nana Akufo-Addo.

Durante o encontro, os diversos partidos priorizaram o debate de “medidas pacíficas e a criação de um clima de confiança”.

A coalizão de 14 partidos da oposição, por sua vez, aderiu à suspensão das manifestações à espera do êxito do diálogo.

As solicitações principais dos cidadãos permanecem: o retorno à Constituição de 1992, a revisão do quadro eleitoral com o direito de voto ao togoleses que vivem no exterior, o desbloqueio das instituições da República e a libertação de todos os os prisioneiros políticos.

22 fevereiro 2018, 14:39