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Centro de Santiago antes da visita do Papa Francisco Centro de Santiago antes da visita do Papa Francisco  (AFP or licensors)

Chile: peça de contexto

Atualmente, o Chile, dentro do contexto da América Latina, é um dos melhores países em termos de desenvolvimento humano. Em maio de 2010, o Chile tornou-se no primeiro país sul-americano a aderir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a OCDE.

Rui Saraiva - Lisboa

O Papa Francisco vai visitar o Chile a partir desta segunda-feira dia 15 de janeiro. Encontrará grande entusiasmo e satisfação pela sua visita.

O Chile é uma República situado na ponta da América do Sul entre a cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico. Faz fronteira a norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, e a leste com a Argentina. O Chile possui um território com 4 300 quilómetros de comprimento e, 175 quilómetros de largura, o que dá ao país um clima muito variado, indo do deserto mais seco do mundo — o Atacama — no norte do país, a um clima mediterrânico no centro, até um clima alpino propenso à neve no sul. A capital é a cidade de Santiago do Chile.

Foi a partir do centro que se constituiu o país integrando no séc. XIX as regiões norte e sul. É aí no centro que está o maior número de população e de recursos agrícolas. Também as principais estruturas políticas, financeiras e culturais.

Antes da chegada dos europeus no século XVI, o norte do Chile estava sob o domínio inca, enquanto os índios Mapuches habitavam o centro e o sul do território. O Chile declarou a sua independência da Espanha em 1817, e venceu a Bolívia e o Peru na Guerra do Pacífico acontecida entre 1879 e 1883. No século XX o Chile viveu um período sangrento da sua história entre 1973 e 1990 durante a ditadura militar de Augusto Pinochet. Nesses anos morreram mais de 3 mil pessoas.

Atualmente, o Chile, dentro do contexto da América Latina, é um dos melhores países em termos de desenvolvimento humano. Em maio de 2010, o Chile tornou-se no primeiro país sul-americano a aderir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, a OCDE. O Chile é governado por um regime presidencialista.

No próximo dia 11 de março tomará posse o novo presidente Sebastian Piñera que sucede a Michelle Bachelet, primeira presidente mulher da história do Chile. O país vive atualmente alguma instabilidade política.

A primeira missa em solo chileno teve lugar em 1520, ano em que por ali passou o navegador português Fernão de Magalhães. Ali chegaram os padres mercedários, dominicanos, franciscanos e jesuítas no século XVI. Nesta época a Igreja coloca-se na defesa das populações indígenas contra os colonos espanhóis. Um período marcado pelo martírio de vários missionários.

No século XIX a diocese de Santiago transforma-se em Arquidiocese Metropolita. Em 1888 foi fundada a Universidade Católica do Chile. 1925 foi o ano em que uma nova constituição promove a separação entre o Estado e a Igreja. O primeiro cardeal do Chile foi o Mons. José María Caro Rodríguez, arcebispo de Santiago em 1947. Durante a ditadura a Igreja escolheu a via do diálogo que teve um forte apoio em 1987 com a visita de S. João Paulo II que exortou o episcopado a dar todo o apoio à reconciliação do país. Em 1990 o Chile passou a ser um regime democrático.

De salientar que em 2008 a conferência episcopal chilena lançou um programa pastoral centrado sobre a atuação do Documento da Aparecida de 2007 aprovado na 5ª conferência do Celam o conselho episcopal latino-americano. Isto recordará Bento XVI aos bispos chilenos em dezembro de 2008 pedindo-lhes um renovado empenho missionário na formação dos jovens e na ajuda aos mais débeis.

Recorde-se que a 9 de outubro de 2012 D. Marco Antonio Órdenes Fernández, bispo de Iquique, foi obrigado a apresentar a sua demissão depois de denúncias que o ligavam a abusos contra adolescentes. Em julho de 2015 foram aprovadas pela Santa Sé as novas linhas da Conferência Episcopal do Chile contra a pedofilia.

Em 2017 foi legalizado o aborto no país. Em novembro passado os bispos chilenos publicaram uma carta pastoral com o título: “Chile, uma casa para todos”. Nesse texto os bispos exortam os chilenos a contribuírem para a superação do clima de desconfiança devido a escândalos e à situação atual de crise política. Nessa carta os bispos não esquecem um apelo para melhorar as condições nas prisões e assinalam com preocupação o clima de conflito com os indígenas Mapuche. Referem também a defesa do ambiente.

Esta é a Igreja e o país que o Papa Francisco visitará a partir desta segunda-feira dia 15 de janeiro. Uma visita com o lema: “Dou-vos a minha paz”.

Chile – peça de contexto

 

 

 

15 janeiro 2018, 10:41