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Contribuição da cultura cristã para a Europa Contribuição da cultura cristã para a Europa 

Comece: cultura cristã é diálogo, respeito pela alteridade

“São 2000 anos que a Igreja vive na Europa.” “Sua presença não é uma herança no sentido que se espera sua morte para acolhê-la. A Igreja é uma realidade viva.”

Cidade do Vaticano

A cultura cristã é unidade na diversidade. É diálogo, respeito pela alteridade. Escuta do outro. E hoje há uma desesperada falta de sentido de alteridade em nossas sociedades.” Essa é a contribuição específica que a cultura cristã dá hoje à Europa: disse o secretário geral da Comece (Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia), Pe. Olivier Poquillon, na Conferência de diálogo sobre “Promover o patrimônio cristão da Europa”, promovida pelo organismo eclesial europeu no quadro do Ano europeu do patrimônio cultural designado pela União Europeia para este 2018.

Evento realizou-se esta quarta-feira, 31 de janeiro

“Estamos dentro de sistemas antropológicos que rejeitam o outro somente porque diferente. A alteridade, patrimônio cristão para a humanidade, criou uma antropologia que faz do homem um ser em relação, que recebe a vida, a compartilha e a transmite.”

“São 2000 anos que a Igreja vive na Europa”, observou o frade dominicano. “Sua presença não é uma herança no sentido que se espera sua morte para acolhê-la. A Igreja é uma realidade viva.”

“Fala-se que os povos europeus não amam a Europa”, frisou o secretário geral da Comece. “Mas talvez não amem suas instituições. A Europa, na realidade, é uma instituição jovem, deve talvez simplesmente superar este momento de adolescência para tornar-se adulta e encontrar finalmente aquela maturidade que lhe permitirá dialogar com todos, sem ter medo da alteridade, da diferença. Somente desse modo será novamente capaz de construir juntos o bem comum”, destacou.

“A dignidade da pessoa humana e a visão humanista foi a grande contribuição que a tradição judaico-cristã deu ao patrimônio cultural da Europa. Se esquecermos que o homem é o sujeito de nossas ações, teremos em mente somente aquilo que dá renda, aquilo que serve, aquilo que produz lucro”, disse, por sua vez, o bispo italiano de Piacenza e vice-presidente da Comece, Dom Gianni Ambrosio, no referido evento.

Durante a manhã desta quarta-feira (31/01) expoentes de vários países apresentaram quatro “boas práticas” de utilização do patrimônio religioso, como sinal da imensa riqueza espiritual e cultural que o cristianismo deixou ao longo dos séculos no Velho Continente: a restauração da capela de São Martinho em Stari Brod, na Croácia, a peregrinação de São Columbano, os hinos cantados na região de Samogitia na Lituânia e a Catedral de Chartres na França.

A Igreja tem o dever de recordar que este patrimônio é patrimônio da civilização europeia. Por conseguinte, somos chamados como cidadãos europeus a redescobrir nossas raízes para poder oferecer a beleza da dignidade da pessoa humana, a beleza da arte e ajudar os povos a reconhecer-se uma só família que vive numa casa comum, a Europa”, acrescentou Dom Ambrosio.

Já o secretário do Pontifício Conselho para a Cultura, Dom Paul Tighe, afirmou que para a Igreja o Ano europeu do patrimônio cultural “é um momento que nos permite partilhar aquilo que temos, um patrimônio extraordinário, rico de monumentos e obras de arte, importante a nível histórico, cultural, artístico, mas também a nível existencial. Nossas pedras, nossas tradições, nossa música, nossa arte ainda podem falar ao coração do homem, podem ainda tocar as almas”, frisou.

-Para o prelado trata-se de um “patrimônio excepcional”, que é, porém, chamado a tornar-se “lugar de encontro, aberto ao diálogo entre crentes e não crentes, para entender juntos o que dá valor à vida, como podemos habitar juntos em nossas terras e construir uma sociedade inclusiva para todos”.

Num tempo de “analfabetismo religioso” difuso sobretudo entre os jovens, o patrimônio cultural das Igrejas permite “oferecer uma explicação daquilo em que acreditamos e porque inspirou tanta arte, e não o fazemos por proselitismo, mas para enriquecer, para partilhar nossa história com outros”, concluiu o bispo.

31 janeiro 2018, 20:20