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Presidente João Lourenço pede desculpas e perdão pelas execuções do 27 de maio de 1977 Presidente João Lourenço pede desculpas e perdão pelas execuções do 27 de maio de 1977 

Angola. João Lourenço pede desculpas e perdão pelas execuções do 27/05 de 1977

O Presidente da República de Angola, João Lourenço, pediu, nesta quarta-feira (26/05), desculpas públicas e perdão à Nação, pelos acontecimentos do 27 de maio de 1977, que culminaram com a execução sumária de um número indeterminado de angolanos.

Anastácio Sasembele – Luanda, Angola

Completam-se nesta quinta-feira 44 anos desde os trágicos acontecimentos que enlutaram o País aos 27 de maio de 1977, num momento em que se passavam apenas dois anos da proclamação da Independência Nacional (11 de novembro de 1975).

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Segundo a versão oficial, publicada a 12 de julho de 1977, e reafirmada nesta quarta-feira (26/05/2021) pelo Presidente angolano João Lourenço, o 27 de maio de 1977 tratou-se de uma tentativa de Golpe de Estado perpetrada por um grupo de cidadãos liderados por Nito Alves, na altura Ministro da Administração Interna, sob a presidência de Agostinho Neto, (1º presidente de Angola), matando altas figuras do poder instituído, com destaque para o Ministro Saidy Vieira Dias Mingas, os Comandantes Paulo Silva Mungungu “Dangereux”, José Manuel Paiva “Bula”, Eugénio Veríssimo da Costa “Nzagi”, Eurico Gonçalves e os cidadãos Hélder Ferreira Neto, António Ferreira Neto, Cristiano dos Santos e Adelino Recua.

Entretanto outras correntes defendem o contrário, afirmando que se tratou de manifestações pacíficas de massas em Luanda, a favor de Nito Alves, que com os seus apoiantes (José Van Dunem, Sita Valles, Rui Coelho e outros), liderou um movimento popular de protesto que se dirigiu para o Palácio Presidencial, para apelar ao Presidente Neto que tomasse uma posição contra o suposto rumo de influência Maoísta que o MPLA estava a seguir e para que alterasse essa tendência com o retorno à linha Marxista-Leninista pura.

De versão a versões o certo é que neste dia seguiu-se a um banho de sangue, foi o primeiro dia de um dos períodos mais negros e macabros de Angola e que levou, durante alguns anos, à tortura e ao assassínio de milhares de angolanos.

Acusados de fraccionistas Nito Alves e seus apoiantes são perseguidos pelo MPLA de Agostinho Neto e fuzilados sumariamente.

44 Anos depois o Presidente da República de Angola, João Lourenço, em nome do Estado angolano pede, desculpas públicas e perdão à Nação, pelos tristes acontecimentos, que culminaram com a execução sumária de um número indeterminado de angolanos, muitos deles inocentes.

Este facto de perdão é assim seguido de gestos concretos, pela primeira vez são entregues as primeiras certidões de óbito aos familiares das vítimas.

Por outro lado, o Presidente anunciou que serão igualmente exumadas e entregues as ossadas de ex dirigentes da UNITA (maior partido na oposição), falecidos nas escaramuças pós eleitorais de 1992 em Luanda para um funeral condigno.

O Presidente angolano considera que a paz e a reconciliação precisa de estar marcada por gestos concretos que inspirem o ambiente de paz que a nova governação pretende trazer para o panorama político nacional.  

O Presidente João manifestou, por outro lado, a necessidade de se trabalhar de forma contínua para se sarar, em definitivo, as feridas ainda prevalecentes dos conflitos políticos angolanos.

Alguns familiares das vítimas manifestaram gratidão pelo reconhecimento do Estado angolano. 

28 maio 2021, 10:00