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Bispos nigerianos em manifestação pela segurança no País Bispos nigerianos em manifestação pela segurança no País 

Nigéria. Bispos de Ibadan lançam forte apelo pela segurança no País

É forte e claro o apelo à segurança que os Bispos da Província Eclesiástica de Ibadan, na Nigéria, lançaram no final da sua primeira reunião de 2021, realizada nos dias 25 e 26 de janeiro no Jubilee Conference Centre. O apelo dos prelados de Ibadan, Ilorin, Ondo, Oyo, Ekiti e Osogbo encontra-se num longo comunicado em que se denunciam claramente as falhas do governo na gestão da segurança nacional.

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Em primeiro lugar, os Bispos da Província Eclesiástica de Ibadan destacam "a falta de sinceridade, os interesses egoístas, a ausência de vontade política" com que as autoridades geriram repetidamente as actividades dos pastores Fulani que trouxeram conflitos, "destruição de vidas e bens, indescritíveis dores e dificuldades para cidadãos inocentes". Por isso, os Bispos reiteram que cabe ao Estado aplicar a lei e punir os que a violam, porque “nenhum nigeriano deve sentir-se acima da lei”.

Daí a esperança da Igreja de Ibadan para que se preveja uma “revisão do sistema de segurança nacional, aliás muito necessária”, face aos contínuos “surtos” de confrontos que explodem no território, a falta de “controlo efectivo” de “ atrocidades cometidas pelos jihadistas do Boko Haram por mais de uma década e os recentes protestos populares contra os abusos e a violência perpetrada pela Sars, as forças especiais da Polícia anti-sequestro.

Poder em benefíficio de poucos e à custa da segurança da Nação

A atitude ineficaz do governo, denunciam os Bispos, é um indício de um poder que se exerce em benefício de poucos e à custa da segurança de toda a Nação. “Nós, Bispos - continua a nota - nos unimos a todos os nigerianos de boa vontade para pedir às autoridades que permitam iniciativas alternativas e legais às actuais forças de segurança, de modo a proteger a vida e a propriedade de todos os cidadãos”. Estas iniciativas “merecem ser apoiadas e optimizadas como complementares”, escrevem ainda os prelados, em benefício de toda a população.

Fé do povo durante a pandemia e boa gestão do Governo

Outro ponto focal do documento episcopal é a pandemia da Covid-19: por um lado, os Bispos exprimem o seu apreço pela fé demonstrada pela população durante o bloqueio, uma fé expressa com a oração familiar e com as obras de caridade e misericórdia. Igual apreço os Bispos manifestam para com as numerosas organizações religiosas e civis, bem como as pessoas que cuidaram "dos pobres, dos doentes, dos idosos e dos vulneráveis". O próprio governo federal e estatal é elogiado por como geriu a pandemia, enquanto toda a população é convidada a não baixar a guarda porque a emergência sanitária continua a subsistir e "permanece mortal". “Exortamos as autoridades e os meios de comunicação de massa - escrevem ainda os Bispos - a apoiar a educação e a informação do público, a fornecer mais possibilidades para os testes rápidos e a não permitir que ninguém use a pandemia para ganhos ou interesses egoístas”. Quanto à vacina anti-Covid, a Igreja de Ibadan pede que os médicos nigerianos a avaliem de forma adequada, de forma a tranquilizar a população sobre a sua eficácia.

Deficiências do sistema de educação

E ainda: os prelados denunciam as deficiências do sistema nacional de educação, apesar de ser "o fundamento para uma boa cidadania". Pedindo "com urgência" uma mesa de discussão que faça "todo o possível para salvar o fracassado sistema educacional da Nigéria", os Bispos exortam com veemência as autoridades estatais a nunca subestimar a importância da formação e das estruturas que a ela se dedicam, procurando “uma rápida solução” onde existem problemas críticos e dificuldades de gestão. “Apelamos às organizações religiosas e públicas e aos cidadãos - continua o comunicado - a fortalecer e promover a emancipação e o emprego dos jovens”, oferecendo-lhes maiores oportunidades, tudo com o objetivo de promover “a difusão da cultura da honestidade e da verdade”, pois sem ela “não se pode progredir muito”. ”Se todos nos unirmos para abraçar a verdade onde quer que ela se encontre - escrevem os Bispos - salvaremos as nossas vidas e chegaremos muito mais rápido a ter um País melhor para todos ”.

Ano de São José e “Documento de Kampala”

Outro parágrafo do longo documento episcopal é dedicado, ao invés, ao Ano de São José, proclamado pelo Papa Francisco para comemorar os 150 anos da proclamação do Esposo da Virgem Maria como Padroeiro da Igreja universal. A decorrer até o próximo dia 8 de dezembro, o Ano especial - explicam os Bispos nigerianos – encoraja os fiéis a "destacar e promover as responsabilidades e virtudes da paternidade". Uma ulterior reflexão, pois, é reservada ao "Documento de Kampala", lançado em 21 de janeiro pelo SECAM (Simpósio das Conferências Episcopais da África e Madagáscar), no fim do seu Jubileu pelo 50º aniversário da sua fundação, celebrado desde julho 2018 a julho de 2019. O documento, recordam os Bispos nigerianos, convida "o povo de Deus em África e Madagáscar a estudar a vida de Jesus nos Evangelhos, para segui-lo mais de perto, a fim de receber dele a plenitude da vida". Daí, o convite dirigido a todos os “sacerdotes, religiosos, seminaristas e fiéis leigos para que conheçam, estudem e ponham em prática este documento em função das exigências pastorais concretas”.

Para crescimento e consolidação da Igreja local

“Isto é necessário - explica a Igreja de Ibadan - para que os esforços de evangelização dos últimos 50 anos em África possam ser ulteriormente alimentados e os seus frutos possam contribuir para um maior crescimento e consolidação” da Igreja local. O longo comunicado episcopal termina com um convite à oração, "oxigénio que sustenta os homens de fé e se baseia na promessa de Deus de nunca abandonar o seu povo". “Pedimos aos nossos fiéis e a todos os nigerianos – escrevem finalmente os Bispos - que rezem  incessantemente para que Deus continue a conceder a sua misericórdia ao nosso País, aos nossos líderes e ao nosso povo”.

03 fevereiro 2021, 16:17