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Bispos da Costa do Marfim Bispos da Costa do Marfim  (AFP or licensors)

Costa do Marfim. Novo apelo dos Bispos: a paz é possível com a reconciliação

“Não ceder ao desânimo”, mas empenhar-se todos e cada qual na construção de uma “nova Costa do Marfim” guiada pela reconciliação, na consciência de que “o caminho para a paz é longo e difícil”. Com este convite, cocnluiu-se, no passado dia 24 de janeiro em Bonoua, Diocese de Grand-Bassam, a 117ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal da Costa do Marfim (Cecci).

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No centro da mensagem final, publicada em coincidência com a jornada conclusiva das celebrações do 125º aniversário da evangelização da Costa do Marfim, a paz no País, após a recente violência que marcou as eleições presidenciais de 31 de outubro. As eleiçõs confirmaram para um terceiro mandato o actual presidente Alassane Ouattara, mas a sua vitória foi contestada pela oposição. Seguiram-se confrontos que causaram 87 vítimas e mais de 200 feridos, enquanto mais de 10 mil marfinenses fugiram para os Países vizinhos, fazendo ressurgir o espectro da guerra civil no País, já palco de dois conflitos internos nas últimas duas décadas, entre 2002 e 2003 e entre 2010 e 2011. A crise parece ter diminuído depois do início, em 11 de novembro, de uma mesa de diálogo entre o presidente Ouattara e o seu principal rival Henri Konan Bédié, líder do Partido Democrático da Costa do Marfim ( Pdci).

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Na sua mensagem, os Bispos costa-marfinenses manifestam a esperança de que o processo de normalização em curso e em particular o trabalho do novo Ministério para a Reconciliação criado para o efeito pelo Executivo prossigam "sem obstáculos". Por isso encorajamos os marfinenses a "trabalhar incansavelmente pela paz, que – observam os prelados - não é um mero silêncio das armas": "A paz pressupõe uma justiça verdadeira e equitativa na administração e uma equa redistribuição da riqueza do país. Uma paz verdadeira e sincera, e sem compromissos, é a única forma de criar uma nova Costa do Marfim ”, afirmam.

Segundo os Bispos marfinenses, esta nova Costa do Marfim é uma meta alcançável, mas a sua construção "requer um empenho individual e colectivo e um dos seus pré-requisitos é a reconciliação" para recompor as divisões que as recentes eleições presidenciais exasperaram, sublinham os Bispos. “Chegou a hora de reaver a alegria de ver os filhos e filhas da Costa do Marfim unidos sem obstáculos políticos, étnicos ou religiosos”, lê-se ainda na mensagem final. Para os Bispos, um passo nessa direcção seria o retorno de todos os exilados políticos e a libertação dos presos políticos e dos prisioneiros de consciência.

Tendo em vista as próximas eleições parlamentares de março, a mensagem convida, pois, mais uma vez os marfinenses ao respeito "escrupuloso" pela legalidade e à "busca incansável da verdade no confronto político e ao respeito pela dignidade da pessoa e da vida humana". E (a mensagem) encoraja particularmente os líderes políticos a continuarem os seus esforços "para um diálogo sereno e baseado na verdade com todos os componentes da nação, e que permita o estabelecimento de um clima sócio-político calmo e pacífico". Em conclusão, a invocação de uma “conversão dos corações ”que possa levar a uma “nova era de reconciliação, justiça e paz” na Costa do Marfim.

A Assembleia Plenária da Cecci teve início no dia 18 de janeiro, tendo como tema central “A educação na Costa do Marfim ao serviço do desenvolvimento humano integral”. A sessão encerrou com uma Missa solene na Catedral Saint Esprit de Mockeyville, na diocese de Grand-Bassam, por ocasião do Jubileu dos 125 anos da evangelização do País.

26 janeiro 2021, 13:40