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Líderes religiosos dos Camarões exortam a resolver o conflito

Num país dilacerado por um conflito separatista e por ataques terroristas atribuídos a Boko Haram, os líderes religiosos exortam o Governo e os cidadãos a serem artífices de paz e disponibilizam-se eles próprios para isso.

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Reunidos em Buea para um seminário sobre a resolução pacífica dos conflitos e a favor de uma paz sustentável, os líderes religiosos dos Camarões emitiram na sexta-feira, 27/11/20 uma declaração sobre a situação actual do país, dilacerado por uma crise separatista dos que têm o inglês como língua oficial no território e pelos contínuos ataques de terroristas do Boko Haram.

Os líderes começam por pôr em relevo a sua neutralidade e imparcialidade, para depois explicarem que a população está exausta e convidarem a reconhecer as várias medidas adoptadas pelo Governo para resolver o conflito na região do noroeste e sudoeste, onde a minoria de língua inglese gostaria de se separar do resto do país, tornando-se independente.

Reconciliação entre as partes

Representantes de diversas Igrejas e muçulmanos, esses líderes que auspiciam uma reconciliação entre as partes, encorajam o Governo a procurar soluções justas, pacíficas e duradouras para resolver a crise anglófona que, de 2016 até hoje, já provocou – segundo a International Crisis Group – mais de três mil mortos e 600 mil deslocados.

No que toca às incursões terroristas, cristãos e muçulmanos exortam os senhores da guerra a porem termo às violências. “Toda e qualquer vida humana é sagrada e amada por Deus” – lê-se na declaração em que os líderes convidam os camaronenses a serem agentes de paz e de justiça, unânimes em condenar tudo o que é contrário a uma pacífica convivência, a pôr em prática a cultura do amor recíproco, a perdoarem-se uns aos outros, a reconciliarem-se e a serem custódios uns dos outros.

Apelo à amnestia

Lançam um apelo ao Governo para que conceda a amnistia a quantos foram detidos e se encontram na prisão devido à crise anglófona. Declarando-se neutrais, os líderes religiosos frisam, todavia, que, não podem calar-se perante questões nacionais que dizem respeito à vida dos cidadãos e declaram-se disponíveis a contribuir para a resolução pacífica do conflito armado que está a devastar a região anglófona e das também as outras crises nacionais. Garantem que se empenham no seu âmbito e que, se necessário, estão prontos a assumir papeis de primeiro plano a fim de que se encontrem soluções pacíficas.

Os líderes religiosos exortam a rezar a Deus para que o país seja um oásis de paz, justiça, paz e amor.

 

28 novembro 2020, 15:50