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Protestos contra o Presidente  Ibrahim Boubacar Keita, em Bamako, Mali Protestos contra o Presidente Ibrahim Boubacar Keita, em Bamako, Mali 

Mali. Crescem tensões sociopolíticas, líderes religiosos apelam à calma e diálogo

Depois das violentas desordens dos últimos dias na capital maliana, Bamako, os líderes religiosos do País convidam à calma e ao diálogo, e o Cardeal Zerbo afirmou que o Mali não merece aquilo que está a acontecer, dizendo-se amargurado pelas vítimas dos confrontos.

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Perante as violentas agitações dos últimos dias em Bamako, o presidente do Conselho Superior Islâmico, Cherif Ousmane Madani Haidara, o Cardeal Jean Zerbo, arcebispo de Bamako, e o presidente da Associação dos Grupos das Igrejas e Missões Protestantes Evangélicas, Nouhou Ag InfaYattara, dirigiram-se à população, informa a maliwebnet, através dos canais da emissora pública Ortm.

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O Cardeal Zerbo afirmou que o Mali não merece aquilo que está a acontecer, e disse que estava amargurado pelas vítimas dos confrontos, tendo exortando a rápidos acordos pacíficos no País.

Presidente incapaz de resolver problemas do País

Contra o presidente Ibrahim Boubacar Keita, considerado incapaz de resolver os muitos e graves problemas do País - insegurança, corrupção, encerramento de várias escolas, o colapso da assistência médica e medicamentosa – tiveram lugar manifestações em Bamako lideradas pelo grupo M5-RFP (União das Forças Patrióticas), uma coalizão de representantes políticos, religiosos e da sociedade civil.

População cansada da crise económica e terrorismo

A população também está cansada da crise económica e do terrorismo jihadista que aflige o País e os protestos degeneraram em confrontos depois que o presidente decidiu iniciar reformas para bloquear os opositores e rejeitou os seus pedidos para dissolver o parlamento e formar um governo de transição. O balanço é de pelo menos 11 mortos e dezenas de detidos.

Oposião pede demissão do Presidente

A oposição pede a demissão do presidente mas, entretanto, vários representantes políticos, considerados os organizadores dos protestos, foram detidos. Foi contra tais detenções que milhares de pessoas fizeram as manifestações. No sábado à noite Keita anunciou que será realizada uma reforma da Corte constitucional,  para encontrar soluções às controvérsias sobre os resultados das eleições legislativas de março passado.

Quando há verdadeiro diálogo uma solução é possível

O presidente do Conselho Superior Islâmico instou a população a reflectir, acrescentando que a situação actual só vai agravar as dificuldades do País. "Peço aos cidadãos que se acalmem - disse - quaisquer que sejam as dificuldades, quando se inicia um verdadeiro diálogo, pode haver uma solução”. O líder muçulmano também solicitou ao governo para assumir as suas responsabilidades e colocar-se ao serviço dos cidadãos e pediu a libertação dos membros do M5-RFP, presos durante as manifestações dos últimos dias.

Rezar pela paz no Mali e pelas vítimas

Por seu lado, o presidente da Associação dos Grupos das Igrejas e Missões Protestantes Evangélicas exortou os cristãos a rezar pela paz no Mali, pedindo em particular a todos os cristãos evangélicos a rezar pelas famílias que sofreram luto e pela rápida recuperação dos que ficaram feridos.

Entretanto, o movimento de protesto que pede a demissão do presidente Ibrahim Boubacar Keïta marcou para apróxima sexta-feira um novo "encontro de manifestação", exactamente uma semana depois da manifestação anterior, em que pelo menos 11 pessoas perderam a vida nosconfrontos com as forças da polícia.

15 julho 2020, 12:59