Busca

Vatican News
2019.10.25 Maria Petronila Neto - Auditora Sínodo Panamazonia, Agente da CPT, Arquidiocese de Porto Velho, Rondónia, Brasil Maria Petronila Neto - Auditora no Sínodo, Agente da CPT, Arquidiocese de Porto Velho, Rondónia, Brasil 

Não dá para lutar sozinhos – Petronila Neto, auditora no Sínodo

No Brasil, povos indígenas e afrodescendentes sofrem das mesmas mazelas. Então não dá para lutar sozinho. A tendência é construir redes para lutar juntos, embora a experiencia neste domínio seja ainda pouca – considera Maria Petronila Neto, agente pastoral na Arquidiocese de Porto Velho, no Brasil, e auditora no Sínodo.

Dulce Araújo – Cidade do Vaticano

Maria Petronila Neto é agente da CPT, Comissão Pastoral da Terra, na arquidiocese de Porto Velho. Trabalha com as comunidades tradicionais da área rural (indígenas, quilombolas, seringueiros, quebradeiras de coco, etc.).

Quilombolas

Em entrevista à Radio Vaticano, deteve-se de modo particular sobre a questão dos quilombos e falou das ameaças que sofrem, da pouca propensão do governo a legalizar devidamente os seus territórios e do perigo de, tal como populações indígenas, os quilombolas serem expulsos das suas terras.

Existem organizações nacionais para o tratamentos tanto das questões que dizem respeito aos indígenas (FUNAI), como aos afrodescendentes (CONAQ). Mas, não havendo vontade do governo, esses povos tentam organizar-se para, com o apoio da Igreja, conquistarem os seus direitos.  

Também do lado da Igreja os organismos oficiais trabalham, de certa forma, separados.

Clima político não favorável

O clima politico actual não é favorável. Por isso, há que organizar-se em rede. A Igreja também sente a necessidade de unir, de algum modo, os diversos serviços da pastoral.

As articulações vão tomando corpo, mas a experiencia de trabalho em rede é ainda pouca – diz Petronila. Ela acrescenta que o trabalho da pastoral é de apoio total a esses povos na conquista dos seus direitos. E lamenta a facilidade com que jovens negros são mortos no Brasil – aquilo que muitos chamam de “genocídio” dos negros.

Uma Igreja toda profética

Falando da Arquidiocese a que pertence – Porto Velho – Petronila sublinha que a Igreja evangeliza numa óptica de inculturação, tendo em conta também o aspectos sociopolítico, pois um povo sem território está destinado a sumir. No Sínodo – refere – “estamos gritando por uma Igreja toda profética” que junte a sua voz à defesa da vida dos povos, mais do que traduzir a Bíblia nas línguas locais. Ela está muito esperançosa quanto aos resultados do Sínodo, embora pense que alguns temas como o diaconado feminino possam não ser ainda plenamente tomados em consideração. Espera, contudo, numa maior colocação do desafio da Amazónia no contexto da evangelização.

Romper a discriminação

Quando aos afrodescendentes especificamente, Petronila considera que para além de lutarem como os outros por melhores políticas públicas, tem também de lutar pelo rompimento das discriminações raciais.

Oiça

 

 

 

 

 

25 outubro 2019, 16:33