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2019.09.13 Okendo Lewis-Gayle - Fondatore della Harambe Aliance Okendo Lewis-Gayle - fundador de "Harambe Entrepreneur Aliance" 

Harambe - Jovens empresários africanos juntos pelo continente

Jovens empresários africanos e da diáspora estiveram reunidos de 13 a 15/9/19 em Roma / Vaticano no seu 5º Fórum bianual. Fazem parte do “Harambe Entrepreneur Aliance”, cujo objectivo é trabalhar juntos para o desenvolvimento da África. O Papa saudou-os no Ângelus do domingo. Okendo Lewis-Gayle, fundador da Aliança ilustra a origem deste movimento.

 

Dulce Araújo - Cidade do Vaticano

Harambe, agir juntos.  Foi esta palavra da língua africana ki-swahili que Okendo Lewis-Gayle escolheu para nome da rede Harambe Entrepreneur Aliance”. Uma aliança de jovens empresários da África e da diáspora dispostos a criar empresas que não só gerem lucros, mas que tenham também a peito o bem-estar integral do continente africano.

Cerca de 80 “Harambeanos” (assim se chamam os membros dessa Aliança), estiveram reunidos em Roma/Vaticano de 13 a 15 de Setembro, no seu 5º Fórum bienal. No dia 14 tiveram um colóquio intitulado, em latim, “Audentes Fortuna Iuvat, (A Sorte Ajuda os que Ousam”. Tiveram também missa nos jardins do Vaticano, jantar final em Castel Gandolfo, e não faltou a participação no Ângelus dominical, em que o Papa os saudou de forma específica:

“Saúdo (...) os jovens empresários africanos empenhados em agir juntos – Harambe – para o futuro da África.”

Okendo Lewis-Gayle, o fundador de Harambe Entrepreneur Aliance, nasceu na Costa Rica, América central, mas cresceu em Milão e Roma, onde fez o liceu. A mãe, Cecília Gayle, é conhecida em Itália por ser cantora popular.  Okendo transferiu-se depois para os Estados Unidos, mas à pergunta onde vive actualmente responde:

Actualmente quase que vivo no avião entre Pequim, África do Sul, Califórnia, Roma, estabelecendo contactos entre jovens empresários africanos”.

Depois explicou como nasceu a Aliança Haramabe:

Eramos estudantes nos Estados Unidos, em Harvard. Eu e um meu amigo do Zimbabwe. Estava-se em 2007 e o Gana estava a celebrar os 50 anos de independência. A pergunta que nos púnhamos era: “porque é que depois de tantos anos muitos países africanos não conseguiram desenvolver-se?” E sabíamos que não é porque faltam recursos ou pessoas. Sabíamos que havia pessoas que queriam ajudar. Decidimos então reunir os jovens que tinham esse desejo de fazer. Lançamos um questionário  muito longo em que perguntávamos: tu, o que podes fazer? Depois começamos a fazer um colóquio todos os anos na Universidade de Harvard, Bretton Woods, e esses jovens criaram uma grande empresa em África. Chama-se Andela. É uma empresa de projectação de software e de formação neste sentido. Tem sede na Nigéria. E os jovens que se formam ali, fazem-nos depois trabalhar com empresas espalhadas pelo mundo fora. Mark Zuckerberg, fundador de face book, Algore, ex-vice Presidente dos Estados Unidos, investiram nessa empresa que é muito grande. Isto para nós é muito importante porque se trata de fazer compreender às pessoas que para além dos problemas, da caridade, há também uma África de possibilidades, de oportunidades e é muito importante para todos nós, compreender isto.”

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Os harambeanos são actualmente 304 e todos os anos cerca de três mil jovens empresários pedem para aderir, mas apenas 25 ou 30 são admitidos e participam no colóquio anual em Harvard, Bretton Woods,  nos Estados Unidos. Mas porque é que a Aliança é tão selectiva, quais são as condições para aderir? Eis a resposta de Okendo Lewis-Gayle:

A condição é sobretudo querer usar as próprias oportunidades, formação, rede, etc.,  para o bem da própria comunidade. E nestes doze anos, isto significou criar empresas que podem dar trabalho e podem crescer, porque sabemos que o continente africano é o continente com o maior número de jovens no mundo e os jovens querem emprego. Então, os harambeanos devem ser esses jovens que tiveram oportunidades na vida, que regressam à África  e fazem crescer empresas não só para o bem das próprias comunidades e países, mas para todo o continente africano. A selecção consiste, portanto, não só em pessoas que tenham o desejo de ajudar a própria comunidade, mas também a capacidade de poder fazer coisas que cresçam rapidamente por forma a dar emprego.

Harambe existe há doze anos. Já fizemos doze encontros anuais, e já temos empresas que tiveram uma gestão de 400 milhões de dólares. Temos empresas em 33 países, mas a nossa maior empresa  é Andela que envolve jovens não urbanos no desenvolvimento de software e depois trabalham com grandes empresas como IBM. E o que é belo em relação a Andela é que está a introduzir estes jovens na economia mundial e a dar-lhes dignidade. Sentem-se realmente transformados. O Campus de Andela já não é só na Nigéria, agora está também no Ruanda, no Uganda, no Quénia. Acho que é isto que se deve fazer. E se vir as pessoas que participam deste programa, há-de ver que se transformaram realmente; e não é só Andela. Temos também uma outra empresa que se chama Max e é como UBER, mas para pessoas com motocicleta, em Lagos. Os condutores antes de trabalhar com Max ganhavam 60$ por mês. Agora ganham 800$ por mês. Isto quer dizer que têm maior capacidade de ajudar as próprias famílias, de educar os filhos. É uma transformação total, complexiva. Têm uma dignidade de trabalho e isto para mim é a coisa mais bela de Harambe, chegas e vês que o impacto real é sentido.”

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Harambe Entrepreneur Aliance começou pela economia, com jovens empresário. Isto significa que os problemas da África se resolverão com a economia, ou há outros factores que considera importantes para uma verdadeira descolagem do desenvolvimento no continente africano?

Bem, se vir as empresas que temos, verá que não podem fazer só coisas económicas; temos, por exemplo, uma empresa que se chama Moringa e eles trabalham com essa planta medicinal. Estão envolvidos cerca de mil camponeses que cultivam moringa e eles precisam não só de saber como fazer crescer essa planta, mas também de ter noções de economia, como levar avante a família, enfim, é um projecto integral. E isto é absolutamente necessário porque se não desenvolverem estes outros aspectos não poderão levar avante uma empresa. Por isso, o que é belo nos harambeanos é que se tornam harambeanos porque têm um sentido de responsabilidade, têm o desejo de ajudar as próprias comunidades a melhorar, e entram a fazer parte de Harambe, onde encontram outras pessoas com o mesmo objectivo e crescem rapidamente. O que é bom é que não se trata só de criar uma empresa, mas de compreender como é que posso fazer para que a minha gente tenha dignidade.”

De salientar que a Empresa Moringa com sede no Gana, exporta para o mundo inteiro. Neste mês – disse Okendo Lewis-Gayle - há nos Estados Unidos um evento do  Whole Foods Market e lá se pode encontrar produtos da Moringa.

Os harabeanos representam actualmente trinta e três países africanos, mas a maior parte deles são de países com grandes mercados como a Nigéria, o Gana, a África do Sul, o Quénia, o Uganda… Contudo, está aberto a empresários de qualquer parte da África que preencham os requisitos e principios, expressos no chamado Harambe Declaration. Dos países africanos de expressão oficial portuguesa, Okendo recorda  Susana Moreira de Moçambique que tem uma rede de mulheres e sobre a qual a revista Vanity Fair publicou uma bela história; e outros dois harambeanos de Angola.

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Instado, dois dias antes, a falar das expectativas do V Fórum bianual dos harabeanos em Roma/Vaticano de 13 a 15 de Setembro, o fundador de “Harambe Entrepreneur Aliance” disse:

O que achamos que devemos fazer como harabeanos é não só fazer com que os jovens possam dar-se conta das oportunidades que existem em África e que podem usar para ajudar os seus países, mas também fazer com que investidores, políticos e pessoas doutros países possam compreender que há uma outra história da África, não só história de pobreza e de doenças. Então este colóquio de Roma é uma oportunidade para levar os harambeanos e investidores de diversos sectores e proveniências a compreender isto.  O colóquio de Roma é uma oportunidade para dar a conhecer Harambe a pessoas, investidores de vários partes do mundo. Temos pessoas que vêm da China, da Europa, dos Estados Unidos, da África e mesmo os nossos apoiantes; a família mais rica da África do Sul é um dos nossos apoiantes, temos também uma grande família dos Estados Unidos (os fundadores de Hayatt Hotel). É, portanto, uma oportunidade para que pessoas que ainda não compreendem bem esta história alternativa da África, vejam possibilidades de investimento, de encontrar os harambeanos e fazer parte deste movimento.

Quanto às relações com a Santa Sé, Okendo Lewis-Gayle diz que o Cardeal Peter Turkson, Presidente do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral sempre viu Harambe de bons olhos; e que foram introduzidos ao Dicastério quando ainda se chamava Conselho Pontifício Justiça e Paz pela então subsecretária do mesmo, Flamínia Giovanelli. E sempre houve uma relação de amizade e, de dois em dois anos, Harambe realiza em Roma/Vaticano um Fórum.

É muito belo trazer os harambeanos a Roma, cidade onde eu cresci e compreender o que é possível fazer se trabalharmos juntos ao longo do tempo. Para mim, é sempre uma metáfora daquilo que Harambe pode ser.”

“A Sorte Ajuda quem Ousa”, os corajosos. Com este espírito nascia, portanto, há doze anos Harambe Entrepreneur Aliance. Doze anos depois, o balanço é animador:

Há doze anos atrás sonhamos que podíamos criar uma comunidade assim e doze anos depois esta realidade concretizou-se. O desejo é, portanto, que nos inspire um pouco a fazer mais.”

A filosofia e historias de alguns harambeanos estão contidos no livro “Harambeans – Ordinary People Doing Extraordinary Things”  (Harambeanos, Pessoas Simples Fazendo Coisas Importantes) da autoria de Okendo Lewis-Gayle e publicado em 2015 por Harambe Bretton Woods Press.

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17 setembro 2019, 11:08