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Cardeal John Njue de Nairobi, Quénia Cardeal John Njue de Nairobi, Quénia 

Quénia. Bispos: “Não percamos os valores morais se queremos uma sociedade sã”

Não existe sociedade que se mantenha unida se perder os seus valores morais. A Bíblia nos ensina que Sodoma e Gomorra tornaram-se o símbolo de uma sociedade decadente, cujo tecido moral foi sistematicamente corroído” - escrevem os bispos do Quénia na declaração publicada no final da sua Assembléia Plenária, declaração em que fazem algumas considerações sobre o estado actual do País.

Cidade do Vaticano

No documento enviado à Agência Fides, os Bispos denunciam as diversas formas de ameaças à infância local: abusos de menores; gravidezes precoces; abortos. "Juntamente com o Santo Padre e todos os Bispos do mundo, nos sentimos próximos das vítimas de abusos sexuais e de todas as formas de violência contra menores e adultos vulneráveis”.

Implementar políticIas para protecção de menores

"A violência e o mal cometidos contra os menores são sinal de uma sociedade moralmente doente. Como vossos pastores, faremos todo o possível para pôr em prática as políticas sobre a protecção dos menores” -  afirmam ainda os Bispos na declaração.

O drama do aborto entre as jovens

Um outro problema denunciado pelos Bispos do Quénia é a promiscuidade e a sexualidade precoce que leva muitas jovens meninas a abortar, muitas vezes encorajadas por mensagens divulgadas pelos media. "Estejamos atentos às multinacionais e à publicidade comercial que sustêm a liberdade de escolha e as fáceis soluções de auto-exaltação e que vão contra a própria lei moral de Deus", advertem os prelados.

As dificuldades dos agricultores

No plano económico e social, o documento denuncia "as condições de sofrimento dos agricultores quenianos que, depois de terem trabalhado tanto para terem alguma colheita, não conseguem vender os seus produtos". As pessoas que estão a destruir economicamente os meios de sustentamento dos nossos agricultores são aquelas que podem importar milho, açúcar, arroz e outros produtos fora do País”.

As divisões políticas

Os Bispos do Quénia dizem-se também preocupados pelo facto de diversos políticos continuarem a instigar confrontos e divisões entre as diversas comunidades para fins eleitorais. A luta contra a corrupção iniciada pelo governo deve ser intensificada e o Estado deve estar àmedida de recuperar os recursos subtraídos aos funcionários corruptos. A má utilização do dinheiro público faz com que os serviços públicos proporcionados pelo Estado sejam de má qualidade se comparados com as taxas pagas pelas populações mais débeis – frisam os Bispos.

Esclarecer questões sobre exploração minerária

Além disso – ressaltam os Bispos na declaração - a descoberta de novos recursos naturais a explorar, como o petróleo, deve trazer benefícios reais para os quenianos. "O governo tem a responsabilidade de dar esclarecimentos sobre os programas de exploração minerária e petrolífera. A falta de clareza, transparência e não adesão à lei, são o caminho para o caos e para a "maldição dos recursos" pela qual já passaram muitos países africanos", sublinha a mensagem, referindo-se ao fenómeno pelo qual um País na posse de recursos minerais e de hidrocarbonetos, tende a ter menor crescimento económico e pior desenvolvimento do que os Países com menos recursos naturais - (Agência Fides).

07 dezembro 2018, 10:29