2018.10.25 Anna Fresu, scrittrice e poetessa 2018.10.25 Anna Fresu, scrittrice e poetessa 

Afrodescendentes na Argentina: da negação ao reconhecimento

Tal como noutros países da América Latina existem, na Argentina, afro-descendentes. A sua presença e contribuição à cultura, a começar pelo tango, foram negadas por longo tempo. Mas, uma lei de 2013 reconhece essa presença e já existem associações a lutar pelos seus direitos. Sensível a essa realidade, Anna Fresu, poeta italiana, observou esse mundo ao longo dos anos que viveu na Argentina e dá-nos as suas impressões...

Dulce Araujo - Cidade do Vaticano

Tal como em diversos outros países da América Latina, também na Argentina há afrodescendentes. Os seus antepassados são os africanos para lá  levados entre os séculos XV e XVIII através do Tráfico Transatlântico e da Escravatura. Contribuíram de várias formas para o desenvolvimento dessa sociedade, mas até 2013 a sua presença e cultura não eram reconhecidas formalmente. Antes pelo contrário, eram negadas. O primeiro recenseamento da população em que se fala deles é de 1887 em que se diz que eram 8% da população. Outros dados relativos a 2005 e 2010 falam de cerca de 5%, ou seja que um em cada vinte argentinos é de descendência africana. Estes dados indicam, portanto, uma diminuição dos afrodescendentes na Argentina, o que, segundo Anna Fresu,  não é real.

Processo de invisibilização

É que - segundo esta escritora, poetisa, realizadora e actriz de teatro, tradutora, que viveu onze anos em Moçambique entre as décadas de 70 e 80, e acaba de regressar da Argentina, onde passou dez anos a ensinar língua e literatura italianas, assim como também o teatro - houve ao longo dos tempos um processo de invisibilização dos afrodescendentes na Argentina.  Com efeito, com a emigração de europeus para a Argentina dos finais do século XIX até depois da II Guerra Mundial, ao país  optou pelo modelo europeu de sociedade, cancelando da história do Argentina os afrodescendentes e os autóctones.

Origens africana do tango

No entanto são visíveis não só fisicamente sobretudo nalgumas regiões do país, como Buenos Aires, mas também e sobretudo na cultura (a começar pelo tango) na culinária, na língua, etc.  

Hoje há muitas associações de afrodescendentes que lutam pelos seus direitos, e há mesmo um Dia do Afro-Argentino - 8 de Novembro - data que recorda Maria Remédios del Valle - africana que, como outros, combateu pela independência da Argentina.

O caminho a andar para o pleno reconhecimento dos afrodescendentes na sociedade argentina é longo. Embora Anna Fresu considere que seja irreversível, acha que não será fácil, pois o momento presente não é, a seu ver, muito favorável.

Saiba mais ouvindo as suas palavras na rubrica "Década dos Afrodescentes"

Oiça

 

 

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25 outubro 2018, 12:56