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Padre Celestin Bizimenyera - ruandese ordinato prete a Porto in Portogallo Padre Celestin Bizimenyera  

Celestin, padre para “dar a vida”

Celestin nasceu no Rwanda e seguindo o Caminho Neo Catecumenal encontrou a sua vocação. Foi ordenado presbítero neste mês de julho e irá servir a diocese do Porto. Para servir a comunidade, porque, segundo diz, “ser padre é dar a vida”

Rui Saraiva – Porto

O padre Celestin Bizimenyera, nasceu no dia 1 de abril de 1979 em Murambi-Rulindo, no Rwanda. Viveu a guerra fratricida no seu país. Perdeu o pai, familiares e amigos. O Caminho Neo Catecumenal abriu-lhe uma janela para um largo horizonte de vida. E o Senhor chamou-o para a vida sacerdotal.

No Porto, em Portugal, frequentou o Seminário Diocesano Redemptoris Mater. Teve dificuldades mas adaptou-se à língua e ao meio envolvente. Agora é o padre Celestin, ao serviço da diocese do Porto. Publicamos uma entrevista que concedeu ao jornal diocesano “Voz Portucalense”:

P: O que é que sente neste momento, dias após a sua ordenação presbiteral?

R: Um sentimento de alegria e de gratidão, por chegar a esta etapa que é o início de uma missão.

P: Uma missão que começou há algum tempo atrás no Rwanda…

R: A minha vocação nasceu no Caminho Neo Catecumenal, onde recebi a Palavra, quando comecei no Caminho em 1998. Era um tempo difícil, depois da guerra que tinha terminado em 1994. Estava destruído, desiludido e desesperado, mas também com muito projetos pessoais. Pensava tornar-me um “salvador da pátria”, pelo menos da minha família, diante das injustiças que via. De modo que tinham um peso enorme as coisas que pensava fazer para corrigir as coisas.

Foi por esta altura que me foi anunciado este Evangelho, esta boa notícia: que o Senhor me ama, independentemente de toda a história e de tudo o que tinha acontecido, da desgraça e da guerra que quase arrasou toda a família. O Senhor estava presente e convidava-me a descansar. Sobretudo, fez-me ver que eu que não era nada, nem melhor que ninguém. O anúncio fez-me ver que não sou diferente dos outros. Foi um alívio, um peso que me tiraram das costas para poder caminhar livremente. Ver que o anúncio do Evangelho foi capaz de me reconstruir e devolver-me a paz e a tranquilidade. Sobretudo, ver a história com outros olhos.

P: Voltando um pouco atrás, morreu muita gente da sua família, perdeu familiares?

R: Sim, praticamente em todas as famílias morreram pessoas. Não há ninguém que não tenha perdido membros da sua família. Na minha família morreu o meu pai, mas também familiares e vizinhos. Pelo menos durante três meses morreram cerca de um 1 milhão de pessoas.

P: Em que cidade estava?

R: Na minha terra (Murambi-Rulindo) a cerca de 30 km da capital (Kigali).

P: E aí havia já um grupo do Caminho Neo Catecumenal?

R: Havia já antes da guerra mas eu não conhecia. Só conheci o Caminho depois da guerra. Porque o Caminho funciona assim: há o anúncio da Palavra, aquele que acolhe a Palavra forma uma comunidade e depois, passado um tempo, eles também vão evangelizar. Na verdade, nós padres, somos formados para servir as famílias. Para ajudar as famílias a evangelizar. Porque um padre pode estar ao serviço de 50 famílias que evangelizem. Os padres formados no Redemptoris Mater estão em missão e ao serviço destas famílias que estão a evangelizar.

P: Estudar em Portugal…! Como foi esse desafio de aprender uma nova língua e encontrar novos amigos, mas, principalmente o desafio de estudar aqui no Porto?

R: Na verdade não foi nada fácil aprender o português. Mas como sabia um pouco de francês, tinha uma base. No início não percebia nada. Nem o bom-dia! Cheguei a 3 de dezembro de 2008 e em junho já fazia um exame em português. Ainda hoje estou a aprender, mas no início foi difícil. Como no Seminário ninguém vive sozinho, há uma entreajuda. Viver em comunidade ajuda muito porque estudamos juntos. Quem sabe mais procura ajudar os outros que sabem menos.

P: O que é ser padre hoje, nesta sociedade contemporânea?

R: Ser padre é dar a vida. Nesta certeza de que é o Senhor que vai à frente. Dar a vida no sentido de serviço. Não é ser servido pela comunidade mas servir a comunidade. Dando a vida é aí que está a realização do ministério. Normalmente, toda a gente quer ser servido, mas ser o último sempre implica privar-se de algo. Para encontrar a verdadeira liberdade. Ajudar os outros a encontrarem-se com Cristo. Quem tem Cristo pode caminhar sobre as águas, pode vencer a morte, saboreando a vida eterna.

O padre Celestin, através do Caminho Neo Catecumenal descobriu a alegria de seguir Jesus. Foi do Rwanda para Portugal. É expressão da Igreja Missionária. Está agora ao serviço da diocese do Porto.

Laudetur Iesus Christus

Oiça
19 julho 2018, 13:52