Busca

art-exhibition-in-vatican-museum-1542641596764.jpg

Espiritualidade da arte russa no Vaticano

A partir deste 20 de novembro até 16 fevereiro do próximo ano, o Braço Carlo Magno da Praça São Pedro está recebendo a exposição "Peregrinação de Arte Russa. De Dionísio a Malevich", com 54 obras da Galeria Tretyakov de Moscou e de outros museus russos, que segue a "Roma Aeterna" do outono de 2016, quando 42 pinturas da Pinacoteca Vaticana foram exibidas na Rússia.

Alessandro Di Bussolo - Cidade do Vaticano

Realmente a beleza "cria pontes,  aproxima culturas diferentes e torna todos irmãos", como escreve a diretora dos Museus Vaticanos Barbara Jatta na sua introdução no catálogo: "Peregrinação da pintura russa, de Dionisij Malevich".

A exposição realiza-se cinco anos após o encontro entre o Papa Francisco e o presidente russo Vladimir Putin no Vaticano - que lançou as bases para essa troca de empréstimos de arte - e dois anos após o excepcional sucesso público da exposição "Roma Aeterna", onde foram expostas as obras-primas da Pinacoteca Vaticana de Bellini, Rafael, Caravaggio, na Galeria Tretyakov, em Moscou, a maior coleção de belas artes russas do mundo.

Agora, os Museus Vaticanos e a Galeria criaram, no pitoresco cenário do Braço Carlo Magno, a exposição “Peregrinação de Arte Russa. De Dionísio a Malevich”, que também envolve o Ministério da Cultura da Federação Russa. A mostra permanecerá aberta ao público a partir deste 20 de novembro até 16 de fevereiro de 2019.

A espiritualidade da arte russa no Vaticano

 

Trata-se de 54 obras-primas, muitas das quais nunca haviam saído das instalações onde normalmente são mantidas, provenientes da famosa Galeria e de outros museus russos. A exposição, curada por Arkadi Ippolitov, Udenkova Tatyana e Tatyana Samoilova, tem uma meta ambiciosa: apresentar a mensagem cultural e espiritual da arte russa no coração do mundo cristão ocidental.

As pinturas estão inseridas dentro de um itinerário de exposições simples e elegante, que segue a arquitetura majestosa de Bernini, dentro da qual estão ladeados por ícones muito antigos e pinturas realistas do século XIX, que dialogam entre si com base em analogias inesperadas, mas evidentes. De fato, a exposição não segue um princípio cronológico, mas percorre transversalmente a arte figurativa russa do século XV ao XIX.

Os códigos culturais comuns a todas as obras

 

As obras, diferentes entre si e de tempos diversos,  contam como a história da arte russa, em todas as suas épocas, tenha sido sempre marcada pelos mesmos códigos culturais e espirituais. Assim, "A aparição de Cristo ao povo" de Alexander Ivanov está localizada ao lado dos ícones "Batismo" e "Transfiguração", entrando em relação com "Trindade" de Paisius, que está fixada em sua frente. A "Dor inconsolável" de Ivan Kramsky está colocada no lado oposto ao ícone "Não chore por mim, Mãe" e seu "Cristo no deserto", que encontra-se ao lado de "Cristo no segredo", uma escultura de madeira do século XVIII de Perm.

Exposição revela a unidade da alma russa

 

A diretora dos Museus Vaticanos, Barbara Jatta, explica ao Vatican News que a mensagem da mostra é "A unidade da alma espiritual russa, que é a mesma, com diferentes variações, no século XV e início do século XX, com Malevich fechando a mostra com um trabalho forte e provocativo que é o 'Quadrado Negro', que incrivelmente na exposição é colocado ao lado de um ícone do século XV do Juízo Final, portanto um ícone muito tradicional".

Os curadores, acrescenta Jatta, "fizeram uma escolha muito particular. Não há um processo cronológico e não há sequer um processo temático e iconográfico. São simplesmente combinações que pretendem levar os visitantes a uma espécie de ascensão, que permite de poder raciocinar sobre determinadas questões da espiritualidade russa, mas que posso dizer também universal ".

Quando visitar a exposição

 

A exposição e o catálogo que a acompanha foram possíveis graças ao generoso apoio da fundação Art, Science and Sport de Alisher Usmanov. A mostra poderá ser visitada nas segundas, terças, quintas e sextas-feiras das 9h30 às 17h30, com última admissão às 17h. Às quartas-feiras das 13h30 às 17h30 e aos sábados das 10h às 17h.

Mostra "Peregrinação da Pintura Russa" até 16 de fevereiro de 2019

 

Obrigado por ter lido este artigo. Se quiser se manter atualizado, assine a nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui

19 novembro 2018, 16:35