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Papa Francisco na Missa de Páscoa Papa Francisco na Missa de Páscoa 

SC: O Mistério Pascal atualiza-se no agora

O Catecismo da Igreja Católica, renovado na perspectiva conciliar, fala que o mistério Pascal não é coisa do passado simplesmente, mas iluminador do hoje.

Jackson Erpen - Cidade do Vaticano

No nosso espaço Memória Histórica - 50 anos do Concílio Vaticano II, vamos continuar a falar sobre a renovação litúrgica trazida pelo evento conciliar.

Até Pentecostes vivemos o Tempo Pascal, isto é, o período do Ano litúrgico que segue 50 dias após o Domingo de Páscoa. A palavra "Aleluia" é usada no final das antífonas, temos o Círio Pascal em todas as missas, fala-se da ressurreição e da vida eterna, do batismo, cantamos o Glória.

"Do lado de Cristo agonizante sobre a Cruz - afirma a Sacrosanctum Concilium - nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja". Somos filhos do coração traspassado de Cristo, que morto, ressuscita glorioso para a nossa santificação. Assim, o Mistério Pascal, é o centro de tudo, de toda a liturgia, como vimos em nosso último programa.

 

Na edição desta quarta-feira, padre Gerson Schmidt - sacerdote incardinado na Arquidiocese de Porto Alegre - dá continuidade a este tema, nos trazendo a reflexão: "O Mistério Pascal atualiza-se no agora":

"Pe. Pedro Mosén Farnés foi um dos grandes liturgistas e expoentes do Concílio Vaticano II para trazer a renovação litúrgica proposta na Sacrosanctum Concilium – a Constituição pilar de toda a valorização e renovação dos sacramentos, o mais importante documento litúrgico de todos os tempos (Pedro Farnés faleceu em 24 de março de 2017, em Barcelona, com 91 anos de idade). Apontou diversas vezes que no centro de toda a liturgia está a Páscoa, a vigília Pascal por excelência e a Eucaristia é entendida como Mistério Pascal. O esplendor da Liturgia centrou-se no centro - o Mistério Pascal.

Em cada liturgia, entro nesse dinâmica renovadora dos sacramentos, que não são ritos exteriores e eu um mero expectador, da mesma forma como vou a um cinema. Posso até me envolver emocionalmente, mas sei que apenas sou um assistente, um mero expectador de um espetáculo até bonito e atraente, mas que não me envolve e não me transforma.

Na liturgia, o Mistério Pascal me ressuscita.  Por isso, a Constituição Dogmática Lumen Gentium, no número 03, fala dessa atualização na liturgia do Mistério Pascal em nossas vidas: “todas as vezes que se celebra no altar o sacrifício da cruz, pela qual Cristo, nossa páscoa, foi imolado, atualiza-se a obra da nossa redenção” (LG  03).

O Catecismo da Igreja Católica, renovado na perspectiva conciliar, fala que o mistério Pascal não é coisa do passado simplesmente, mas iluminador do hoje:

“Na liturgia da Igreja, Cristo significa e realiza principalmente seu mistério pascal. Durante sua vida terrestre, Jesus anunciava seu Mistério pascal por seu ensinamento e o antecipava por seus atos. Quando chegou sua hora, viveu o único evento da história que não passa: Jesus morre, é sepultado, ressuscita dentre os mortos e está sentado à direita do Pai “uma vez por todas” (Rm 6,10; Hb 7,27; 9,12). É um evento real, acontecido em nossa história, mas é único: todos os outros eventos da história acontecem uma vez e depois passam, engolidos pelo passado. O Mistério pascal de Cristo, ao contrário, não pode ficar somente no passado, já que por sua morte destruiu a morte, e tudo o que Cristo é, fez e sofreu por todos os homens participa da eternidade divina, e por isso abraça todos os tempos e nele se mantém presente. O evento da cruz e da ressurreição permanece e atrai tudo para a vida” (CIC, 1085)

Sobre essa atualização do Mistério da fé em nossas vidas, no agora de nossa história, o catecismo ainda é mais enfático, falando de uma Páscoa mística que não tem ocaso, que perdura ao longo de toda a história:

“Quando celebra o mistério de Cristo, há uma palavra que marca a oração da Igreja: hoje!, fazendo eco à oração que seu Senhor lhe ensinou e o apelo do Espírito Santo'. Este “hoje” do Deus vivo em que O homem é chamado a entrar é “a hora”; da Páscoa de Jesus que atravessa e leva toda a história: A vida estendeu-se sobre todos os seres, e todos ficam repletos de uma generosa luz; o Oriente dos orientes invadiu o universo, e aquele que era “antes da estrela da manhã” e antes dos astros, imortal e imenso, o grande Cristo brilha sobre todos os seres mais que o sol! É por isso que, para nós que cremos nele, se instaura um dia de luz, longo, eterno, que não se apaga: a páscoa mística' (CIC, 1165)".

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18 abril 2018, 08:14