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Situação dramática dos refugiados na Bósnia

A Cruz Vermelha, a Caritas e outras Organizações humanitárias, que atuam na chamada “rota balcânica”, castigada pelo frio e pelo risco de contágio do Covid-19, denunciam a extrema gravidade das condições dos refugiados

Giancarlo La Vella - Vatican News

“Milhares de migrantes, bloqueados pela neve e pelo risco de contágio da pandemia, tentam sobreviver no norte da Bósnia-Herzegovina”: este é o alarme da “Caritas Internationalis”, que destaca a necessidade desesperada de moradia adequada, agasalhos, alimentos e assistência médica. Os migrantes vêm de países como Paquistão, Afeganistão, Iraque, Irã e Síria, onde há guerra e miséria, e se adaptam para dormir em prédios antigos, carros abandonados ou até ao ar livre.

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Conflitos e emergência sanitária

Devido ao frio rigoroso europeu, os milhares de migrantes estão tendo problemas respiratórios. Por isso, devem tomar, com urgência, a vacina contra o Coronavírus. Além do mais, há tensões diárias entre os migrantes e a polícia: dois policiais e um funcionário da Organização Internacional para as Migrações (OIM) ficaram feridos, na última quarta-feira (20/01) em um acampamento de migrantes, perto de Sarajevo, e carros da polícia foram atacados e danificados nos tumultos. O centro 'Blazuj', perto da capital bósnia, que abriga mais de três mil pessoas, é palco de violências. Ali, atuam importantes organizações humanitárias, inclusive a Cruz Vermelha.

A este respeito, Francesco Rocca, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e da Cruz Vermelha italiana declarou: “Além da alimentação e hospedagem é preciso respeitar a dignidade e os direitos humanos daquelas pessoas”.

Para que os refugiados na Bósnia-Herzegovina não se tornem um drama esquecido, o Conselho da Europa vai enviar à Bósnia-Herzegovina, de 24 a 30 próximos, um representante especial do Secretariado geral para os Imigrantes e Refugiados, Drahoslav Stefanek, a fim de avaliar o drama migratório, sobretudo na área de Bihac.

Sobre esta dramática situação, a Rádio Vaticano entrevistou Francesco Rocca, presidente da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e da Cruz Vermelha italiana:

A situação, de fato, é dramática, sobretudo por causa do inverno rigoroso. De um lado, há o problema da assistência diária e, de outro, da estabilidade social. Esta grave situação está tendo impacto também na comunidade rural, duramente provada por suas condições econômicas difíceis. Tudo isso representa uma bomba social, que caiu no esquecimento total. Os Balcãs são uma das rotas mais populares desta migração negligenciada. O que mais nos interessa é resolver as condições de vulnerabilidade e a situação de desespero dos milhares de migrantes. Para ir ao encontro da Cruz Vermelha da Bósnia, a Cruz Vermelha italiana enviou três caminhões de ajudas humanitárias a Una-Sana, a área onde se concentra o maior número de refugiados, que, obviamente, tentam cruzar a fronteira com a Croácia. Todas as ajudas governo italiano e de outras entidades, infelizmente, são como gotas no mar, diante da imensa necessidade daquelas pessoas”.

Tudo isso acontece em meio a uma terrível pandemia, que precisa, com urgência, de vacinas.

Como presidente da Federação internacional refiro-me ao problema da vacina, em todos os níveis: o acesso às vacinas deve ser universal. A Bósnia, como outros países balcânicos, tem o mesmo direito de receber suas doses. Para se voltar à normalidade, todos os países devem ser vacinados. Isso vale também para os migrantes, que não devem ser excluídos dos programas de prevenção e tratamento. Infelizmente, parece que há uma espécie de nacionalismo de vacinas, que vai contra toda regra de bom senso. Portanto, reafirmamos, mais uma vez, o conceito de que, em tempos de pandemia, a segurança do ser humano equivale à segurança de cada um de nós”.

A intervenção do Conselho da Europa é iminente na região da Bósnia. Isso significa que está despertando certa consciência em nível internacional, diante de tais emergências extremas...

Esperemos que este seja um sinal encorajador, apesar das várias experiências negativas dos últimos anos. A política europeia na área dos Bálcãs tem o objetivo de defender as fronteiras continentais, embora sejam necessários canais humanitários. Caso contrário, o desespero daquelas pessoas poderá levá-las a encontrar meios diferentes e mais perigosos. Deixando de lado a retórica sobre os migrantes, o que nos interessa aqui é a defesa de seres humanos e da sua dignidade. Ninguém pode ser excluído das condições de uma vida digna. Neste sentido, a Europa não pode deixar de dar asilo e proteção humanitária. Por isso, a visita de um responsável do Conselho Europeu à área balcânica é pertinente e bem-vinda”.

Os refugiados daquela região têm esperança de encontrar um lugar para recomeçar uma nova vida ou correm o risco de permanecer ali ainda por muito tempo?

Esta realidade nua e crua pode levar os migrantes a tentar ultrapassar as diversas fronteiras, de forma ilegal, para atingir a sua meta, ou seja, a Europa. Se a Croácia não abrir seus confins para dar asilo às milhares de pessoas, o desespero as levará a encontrar outras soluções. Por isso, temo, infelizmente, que os refugiados terão ainda que sofrer por muito tempo naquelas regiões. Claro, ninguém pretende o impossível, mas pelo menos o devido respeito humano, previsto pelas convenções internacionais: todos têm direito à proteção humanitária e ao asilo político”.

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23 janeiro 2021, 08:16