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Coordenação indígena sobre o Sínodo para a Amazônia: apoiamos o documento final

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (COICA) lançou uma declaração final sobre o Sínodo para a Amazônia realizado em Roma em outubro passado. A Coordenação representa 506 povos indígenas e 66 em isolamento voluntário

Cidade do Vaticano

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (COICA) lançou uma declaração final na qual agradecem profundamente a Igreja pelos esforços e os compromissos assumidos durante o Sínodo para a Amazônia.

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A COICA, foi criada em 14 de março de 1984 na cidade de Lima, no Peru e desde 2018 adequando-se ao mandato de Macapá, assumiu a missão de representar e guiar a defesa dos direitos e dos territórios de 506 povos indígenas e de mais de 66 povos em isolamento voluntário, em uma única região de 7,5 milhões de Km2.

O Sínodo sobre a Amazônia, reuniu 180 padres sinodais, religiosos, teólogos especialistas e representantes indígenas, para discutir a realidade que a Igreja vive na região e para discernir o caminho a seguir para uma evangelização eficaz.

Segundo a COICA o “Sínodo foi o evento mais importante deste século porque colocou a Amazônia, seus povos e sua vida no centro dos debates”.

Sobre a violência e a exploração na Amazônia

Em vários pontos, a coordenação repete o apelo para seja detida “a violência contra a Amazônia, acelerar a demarcação dos territórios indígenas, bloquear a invasão violenta e inconsiderada de grandes projetos de desenvolvimento” que estão saqueando mais uma vez as casas e as vidas da população indígena. Todavia, afirma-se que houve uma tentativa frustrada de excluir e em alguns casos de ‘exterminar’ as culturas mais próximas do desenvolvimento sustentável.

Não à cultura do capital

 A coordenação também chama a atenção “à cultura do capital, a lógica da propriedade e da avidez, a doença do consumismo, o excessivo individualismo e quase total ausência de espiritualidade”, que – segundo a nota – são “sinais terminais da crise civilizadora contemporânea”. A “cultura do capital” gerou grandes consequências por muitos anos, como por exemplo a “devastação da floresta, o extermínio dos povos e das comunidades indígenas, a migração, a progressiva perda de conhecimentos e práticas, e a disputa em relação a uma identidade que é discutida entre a própria e a dos outros”, diz a coordenação.

Contribuição e chamado do Papa

A COICA afirma também que reconhece e valoriza as orientações e os pontos de vista do Papa sobre “uma ecologia integral, fundamento da relação entre ética e bem comum de toda a criação”. Com efeito, o Papa convida a “passar do consumo ao sacrifício, da avidez à generosidade, do desperdício à capacidade de compartilhamento”. O comunicado recorda o apelo do Papa “para mudar o paradigma histórico através do qual os Estados veem a Amazônia como um reservatório de recursos naturais”. Francisco invoca uma “relação harmoniosa entre a natureza e o Criador”, e exprime claramente que “a defesa da terra não tem outro objetivo a não ser a defesa da vida, por isso deve ser considerada uma terra santa: esta – afirmou o Papa – não é uma terra órfã! Tem uma Mãe!”. Por outro lado a ameaça contra os territórios amazônicos deriva também da perversão de algumas políticas que promovem a “conservação” da natureza sem considerar o ser humano e, em particular, dos irmãos e irmãs que vivem na Amazônia”.

Apoio pós-sinodal

A coordenação afirma que apoia o documento final do Sínodo dos Bispos e que confia plenamente no empenho do Papa Francisco. Considerando a aspiração coletiva dos povos de “caminhar juntos com alegria, esperança e muita vontade”, pode-se chegar à formulação de uma ecologia integral; a um trabalho conjunto entre a Igreja amazônica e o povo amazônico”. Podendo assim tornar realidade nos povos e nas comunidades a valorização de suas práticas econômicas, e conseguir influenciar “a importância das culturas indígenas, do conhecimento e da espiritualidade para a conservação da Amazônia”.

 

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19 novembro 2019, 12:11