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Questões tribais na África ainda são determiantes nos diversos âmbitos da vida social Questões tribais na África ainda são determiantes nos diversos âmbitos da vida social 

Superar o pecado do tribalismo, um desafio para a Igreja na África

De Igreja família de Deus para Igreja tribal? A renúncia do Bispo de Ahiara, na Nigéria, Dom Peter Ebere Okpaleke, aceita pelo Papa Francisco, revela que "o sangue da cultura, da etnia, da tribo, permanece mais forte e mais importante do que a água sagrada do Batismo", na avaliação do teólogo marfinense padre Donald Zagore.

Cidade do Vaticano

A conhecida crise étnica e tribal existente na Diocese nigeriana de Ahiara “é somente a ponta do iceberg”, afirmou à Agência Fides o teólogo marfinense padre Donald Zagore, missionário da Sociedade das Missões Africanas (SMA).

Ganhou ampla repercussão nas Igrejas africanas o episódio que, iniciado em 2012, culminou com a renúncia do bispo de Ahiara a seu ofício episcopal – aceito pelo Papa Francisco e comunicado na segunda-feira (19) -  após a recusa de sacerdotes e leigos em acolher como bispo Dom Peter Ebere Opkalaeke, por considerá-lo “estranho à própria terra”.

 

Padre Zagore considera que “quando na Igreja Católica – cuja própria essência significa comunhão, fraternidade e unidade – os membros se dividem por questões étnicas e tribais, devemos seriamente nos fazer a pergunta profética: compreendemos realmente o significado de nosso tempo e da nossa fé?”

De Igreja família de Deus para Igreja tribal

 

“Infelizmente – prossegue – nos damos conta, dia após dia, que o sangue da cultura, da etnia, da tribo, permanece mais forte e mais importante do que a água sagrada do Batismo. O paradigma da ‘Igreja família de Deus’ na África, parece muitas vezes um discurso privado de significado, que assume às vezes o aspecto de uma farsa. Estamos nos deslocando sempre mais da ‘Igreja família de Deus’ para a Igreja tribal. Deve ser dito com força que este comportamento é tudo, exceto cristianismo”, insiste padre Zagore.

Abertura ao universal

 

“O tribalismo – continua o missionário – de forma alguma é característico da Igreja de Jesus Cristo. O único valor, permanece o desejo de servir a Deus, submetendo-se à sua vontade. Uma vontade que é revelada em termos de amor e convivência”.

Assim “como Cristo, devemos recusar categoricamente deixar-nos aprisionar pelas cadeias das ligações tribais e étnicas, devemos ser abertos ao universal, a cada homem e a cada mulher, independente de suas origens culturais, raciais e étnicas”.

“De fato, como disse São Paulo, «já não há judeu nem grego, nem escravo nem livre, nem homem nem mulher, pois todos vós sois um em Cristo Jesus»  (Gál 3,28). Nesta direção, urge um eficaz trabalho pastoral”, conclui o teólogo.

(Agência Fides)

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20 fevereiro 2018, 13:04